Não é de hoje que Romeu Zema se sente à vontade para vocalizar um projeto de país que olha para o trabalho como custo e não como dignidade. Mas, desta vez, foi além: em um evento empresarial em São Paulo, sem qualquer constrangimento, atacou frontalmente a classe trabalhadora ao criticar direitos que, historicamente, serviram como um mínimo de proteção frente à desigualdade estrutural brasileira.
Ao se posicionar contra o fim da escala 6×1, Zema deixa claro de que lado está. Não é o lado de quem acorda cedo, enfrenta transporte precário e sustenta a economia com seu esforço diário. É o lado de quem enxerga o trabalhador como peça substituível, descartável, alguém que deve produzir mais, descansar menos e reivindicar quase nada.
O problema não é apenas Zema. O problema é o aplauso. É o ambiente em que esse tipo de fala encontra eco, legitimidade e entusiasmo. Quando empresários aplaudem a retirada de direitos, o que está em jogo não é só economia, é o pacto social. Direitos trabalhistas não são luxo, são conquista civilizatória.
