Norris bem que tentou, mas esqueceu que o italiano Antonelli estava na pista

Redação
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Bartô Granja, Foto do X

Kimi Antonelli parece ter decidido transformar a temporada de 2026 da Fórmula 1 em território italiano. Neste domingo (13), o piloto da Mercedes venceu o Grande Prêmio da Espanha, disputado pela primeira vez no novo circuito Madring, em Madri, conquistou sua oitava vitória no campeonato e deu mais um passo gigantesco em direção ao título mundial.

Max Verstappen, da Red Bull, terminou em segundo, 4s3 atrás do vencedor. Lando Norris, que largou na pole e chegou a alimentar a esperança de impedir outra festa de Antonelli, teve de se contentar com o terceiro lugar, a cinco segundos do italiano.

A vitória levou Antonelli aos 292 pontos. George Russell, seu companheiro de Mercedes e agora principal perseguidor, tem 211. São 81 pontos de vantagem. Lewis Hamilton permanece em terceiro, com 191, seguido por Norris, com 186, e Charles Leclerc, com 167.

Mais do que a diferença matemática, porém, Madri deixou uma impressão preocupante para os adversários: quando a oportunidade apareceu, Antonelli não piscou.

Norris havia feito sua parte no sábado. Numa classificação decidida por uma diferença quase invisível, o britânico colocou a McLaren na pole com 1min31s824, apenas 11 milésimos de segundo à frente de Antonelli. Verstappen largou em terceiro.

A largada foi agitada. Antonelli chegou a escapar da pista duas vezes nas primeiras cinco curvas durante a disputa com Norris. O britânico conservou a liderança e começou a abrir vantagem, enquanto Verstappen acompanhava os dois primeiros.

Parecia que Norris poderia transformar a pole em vitória, mas apenas parecia.

A corrida começou a mudar quando o Virtual Safety Car foi acionado. Antonelli, Verstappen e Russell aproveitaram a neutralização para entrar nos boxes. Norris passou pela entrada dos boxes e perdeu a melhor janela para sua parada.

A McLaren chamou o campeão mundial na volta seguinte, mas já era tarde — e uma parada de aproximadamente sete segundos piorou ainda mais a situação. Norris despencou para quinto, atrás de Russell. Foi a oportunidade de que Antonelli precisava.

Charles Leclerc decidiu seguir uma estratégia diferente. A Ferrari manteve o monegasco na pista e apostou em apenas uma parada, o que lhe permitiu assumir provisoriamente a liderança.

Mas havia uma conta a pagar. Antonelli permaneceu a poucos segundos da Ferrari, sabendo que Leclerc ainda teria de passar pelos boxes. Quando o ferrarista finalmente fez sua parada, na volta 49, o caminho ficou aberto.

Antonelli voltou à liderança real da prova com Verstappen e Norris logo atrás. Restavam apenas oito voltas. A diferença entre os três primeiros chegou a cair para menos de dois segundos, mas o italiano aumentou o ritmo quando precisava e afastou qualquer possibilidade de ataque.

Verstappen, por sua vez, fez o serviço que Norris menos desejava. O tetracampeão resistiu à pressão da McLaren e segurou o segundo lugar até a bandeirada.

Antonelli cruzou em primeiro. Verstappen, 4s3 depois e Norris apareceu sete décimos atrás do holandês.

Hamilton vive pesadelo
Se Antonelli saiu de Madri ainda mais forte na disputa pelo título, Lewis Hamilton sofreu um golpe duro.

O piloto da Ferrari, que largou em quarto, abandonou após apenas sete voltas devido a problemas nos freios. Antes disso, havia se envolvido em uma disputa com Verstappen nas primeiras curvas. Foi o primeiro abandono de Hamilton na temporada de 2026.

Leclerc salvou parte do domingo da Ferrari ao terminar em quarto. Russell levou a segunda Mercedes ao quinto lugar. Liam Lawson foi o sexto colocado, seguido por Franco Colapinto, Oscar Piastri, Arvid Lindblad e Nico Hülkenberg, que completaram a zona de pontuação.

O brasileiro Bortoleto havia conseguido o 12º tempo na classificação, mas terminou a corrida em 13º, uma volta atrás de Antonelli. Seu companheiro de Audi, Nico Hülkenberg, terminou em décimo e conseguiu levar um ponto para a equipe.

Bortoleto permanece com dez pontos no Mundial, resultado principalmente dos oitavos lugares conquistados anteriormente na temporada.

A matemática mostra com clareza o tamanho do estrago provocado pela vitória em Madri.

Antonelli chegou à Espanha com 267 pontos e 66 de vantagem sobre Russell. Sai com 292 contra 211 do companheiro de Mercedes.

Os primeiros colocados do Mundial agora são:

1º — Kimi Antonelli (Mercedes): 292 pontos
2º — George Russell (Mercedes): 211
3º — Lewis Hamilton (Ferrari): 191
4º — Lando Norris (McLaren): 186
5º — Charles Leclerc (Ferrari): 167
6º — Max Verstappen (Red Bull): 145
7º — Oscar Piastri (McLaren): 120
8º — Isack Hadjar: 71
9º — Liam Lawson: 59
10º — Pierre Gasly: 41

O dado que mais impressiona é outro. Depois de 14 etapas, Antonelli já soma oito vitórias. A Mercedes venceu dez das 14 corridas realizadas até agora e permanece na liderança do Mundial de Construtores.

Aos adversários começa a faltar não apenas velocidade. Falta calendário.

Os dez primeiros
A classificação da corrida ficou assim:

Kimi Antonelli (Mercedes)
Max Verstappen (Red Bull) — +4s3
Lando Norris (McLaren) — +5s0
Charles Leclerc (Ferrari) — +27s1
George Russell (Mercedes) — +28s3
Liam Lawson — +84s9
Franco Colapinto (Alpine) — +91s8
Oscar Piastri (McLaren) — +92s9
Arvid Lindblad — uma volta
Nico Hülkenberg (Audi) — uma volta.

Gabriel Bortoleto foi o 13º. Entre os que não completaram a prova estiveram Carlos Sainz, Sergio Pérez, Lance Stroll e Lewis Hamilton.

Agora, Baku
Não haverá muito tempo para os adversários encontrarem a fórmula capaz de parar Antonelli. A próxima etapa será o Grande Prêmio do Azerbaijão, em Baku, marcado para 26 de setembro. Depois virão Bahrein, Singapura, Estados Unidos e México na sequência do calendário.

Madri deveria representar uma oportunidade para Norris começar a descontar a enorme diferença que carregava no campeonato. O britânico conquistou a pole, largou na frente e inicialmente controlou a corrida.

Mas a Fórmula 1 é uma combinação de velocidade, estratégia e oportunidade. A McLaren hesitou. Verstappen resistiu. E Antonelli venceu.

Com 81 pontos de vantagem e oito vitórias na bagagem, o jovem italiano começa a enxergar no horizonte algo muito maior do que mais um troféu: o título mundial de Fórmula 1.

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