O Eco do Teu Nome
Ainda carrego o teu nome
como quem guarda, no peito,
uma estrela que já se apagou no céu,
mas continua a arder por dentro.
A saudade não é ausência:
é um rio subterrâneo que invadiu
todas as salas da minha alma,
alagando os corredores onde antes
só havia o rumor doce da tua respiração.
Recordo teus beijos
como quem recorda o primeiro gole de vinho
depois de longos dias de sede:
lentos, densos, tingindo a memória
de um sabor que a língua nunca esquece.
Teus carinhos ainda percorrem minha pele
como o vento quente que, de madrugada,
passa pela janela entreaberta
e deixa no corpo a certeza
de que alguém esteve ali.
Os olhos que outrora se iluminavam
ao te encontrar
hoje são duas velas trêmulas
chorando cera vermelha sobre o rosto.
Minha alma entoa, em silêncio,
uma canção de amor
que viaja pela distância
como um pássaro ferido
que ainda tenta alcançar o ninho.
Entre soluços e lágrimas
procuro a última fagulha
daquele fogo bonito de outrora,
aquele que nos aquecia
antes de o abismo se abrir.
Conhecer-te foi descobrir
um jardim secreto dentro de mim.
Ter teu corpo junto ao meu
foi sentir a terra firme
pela primeira vez.
Hoje vivo de relíquias:
o gosto dos teus beijos
ainda habita minha boca
como perfume antigo em um lenço;
meu corpo ainda estremece
ao lembrar o teu toque,
como folhas que se agitam
quando o vento passa longe.
Quisera atravessar a noite
e chegar até ti
para te dizer, sem pressa,
que este amor não é qualquer vento:
é raiz, é seiva, é puro,
é o único lugar onde eu sou inteira.
Entre nós há mais do que quilômetros:
há o abismo que habita teu peito,
esse vazio onde outro amor
nunca soube pousar de verdade.
Enquanto tu sofrias por quem
nunca te amou por inteiro,
eu vivia de sonhos
até o instante em que teu corpo
me ensinou o que é ser mulher
e não objeto esquecido numa gaveta.
A vida é feita de instantes
e os nossos ainda brilham
dentro da minha saudade.
Te guardo na solidão das madrugadas,
na canção que escolhi para ser nossa,
e em cada verso que escrevo
para que o teu nome
continue vivo
por todo o infinito.

