O Eco do Teu Nome

Eduardo Martínez
3 minutos de leitura
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

O Eco do Teu Nome

Ainda carrego o teu nome

como quem guarda, no peito,

uma estrela que já se apagou no céu,

mas continua a arder por dentro.

A saudade não é ausência:

é um rio subterrâneo que invadiu

todas as salas da minha alma,

alagando os corredores onde antes

só havia o rumor doce da tua respiração.

Recordo teus beijos

como quem recorda o primeiro gole de vinho

depois de longos dias de sede:

lentos, densos, tingindo a memória

de um sabor que a língua nunca esquece.

Teus carinhos ainda percorrem minha pele

como o vento quente que, de madrugada,

passa pela janela entreaberta

e deixa no corpo a certeza

de que alguém esteve ali.

Os olhos que outrora se iluminavam

ao te encontrar

hoje são duas velas trêmulas

chorando cera vermelha sobre o rosto.

Minha alma entoa, em silêncio,

uma canção de amor

que viaja pela distância

como um pássaro ferido

que ainda tenta alcançar o ninho.

Entre soluços e lágrimas

procuro a última fagulha

daquele fogo bonito de outrora,

aquele que nos aquecia

antes de o abismo se abrir.

Conhecer-te foi descobrir

um jardim secreto dentro de mim.

Ter teu corpo junto ao meu

foi sentir a terra firme

pela primeira vez.

Hoje vivo de relíquias:

o gosto dos teus beijos

ainda habita minha boca

como perfume antigo em um lenço;

meu corpo ainda estremece

ao lembrar o teu toque,

como folhas que se agitam

quando o vento passa longe.

Quisera atravessar a noite

e chegar até ti

para te dizer, sem pressa,

que este amor não é qualquer vento:

é raiz, é seiva, é puro,

é o único lugar onde eu sou inteira.

Entre nós há mais do que quilômetros:

há o abismo que habita teu peito,

esse vazio onde outro amor

nunca soube pousar de verdade.

Enquanto tu sofrias por quem

nunca te amou por inteiro,

eu vivia de sonhos

até o instante em que teu corpo

me ensinou o que é ser mulher

e não objeto esquecido numa gaveta.

A vida é feita de instantes

e os nossos ainda brilham

dentro da minha saudade.

Te guardo na solidão das madrugadas,

na canção que escolhi para ser nossa,

e em cada verso que escrevo

para que o teu nome

continue vivo

por todo o infinito.

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