Projetos da direita se resumem a anistiar golpistas

Redação
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Sonja Tavares, Foto de Arquivo

Assim como na vida dos que se acham melhores do que os outros, na política atual a convenção estabelece que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Popularíssimo, o ditado brasileiro, além de servir para separar duas situações, mostra que ideias diferentes nunca serão misturadas. Cansado de tocar na mesma tecla do pacto suprapartidário em benefício das reformas, da modernidade, da governabilidade, do bem-estar do povo e da grandeza da nação, percebi que a desmedida idolatria e a visceral necessidade de os “patriotas” só pensarem no próprio umbigo são os grandes empecilhos de qualquer tentativa de recuperação da decência e da credibilidade dos políticos.

São elas que me impedem e aos progressistas de contarmos com aqueles que, em nome das vantagens pecuniárias, são capazes de pisar nas mãos e nas cabeças dos antagônicos, principalmente daqueles que ousam ter opiniões distintas. Nossas diferenças lembram as moscas e as abelhas. Como abelhas produtoras de mel, metaforicamente estamos impedidos de mostrar às moscas que o mel é melhor do que o estrume. Embora eu tenha assumidamente um lado na política partidária, como democrata e cristão convicto e consciente consigo votar em candidatos de legendas fora do meu espectro político.

Por isso, não aceito, na verdade não admito, que alguém tente interferir no meu voto para presidente da República. Ele é secreto, mas, para que não haja dúvida, abro meu sigilo e afirmo que mais uma vez votarei no presidenciável que, apesar do seu questionável (?) passado, já deu provas de que é o melhor que temos. Na pior das hipóteses, é infinitamente superior aos azarões, notadamente àquele que, por ser filho do rei da cocada preta, se acha o príncipe da cocada branca. Não é, nunca foi e jamais será.

Para os que teimam em alcunhar Lula da Silva de ladrão, vale lembrar que Flávio Bolsonaro é o único candidato ao Planalto sob investigação por corrupção no Supremo Tribunal Federal. Não é nada, não é nada, mas saibam que é tudo. O fato de tornar pública minha convicção como democrata não me impossibilita de discernir a respeito da verdade e da mentira. Ainda relativamente à disputa entre Luiz Inácio e o clã Bolsonaro, é difícil entender o que é lisura e o que é ignorância seletiva e idiotizada. O noticiário tem mostrado a turma bolsonarista revoltada porque a mulher de um ministro do STF recebeu milhões de reais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Como cidadão decente, eu aderi à revolta. Entretanto, é impossível digerir o outro lado da moeda. Os mesmos aliados da seita inventada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro estão nas ruas, no rádio e na televisão pedindo votos para o candidato que oficialmente mamou dinheiro do irmão Vorcarinho e ainda mentiu e mente sobre isso.   Recebeu e, a não ser as moscas, disso nenhum brasileiro de bom senso tem dúvida. O voto a ser depositado na urna eletrônica que se transformou em pesadelo para a família Bolsonaro é coisa séria e deve ser disputado com ideias e propostas inteligentes de governo.

Além da anistia geral e irrestrita aos que, sob a liderança de Jair Messias Bolsonaro, vandalizaram a Praça dos Três Poderes e por pouco não quebraram a República, que tipo de golpe Dark Horse planeja para o país? Cada um tem o direito de votar em quem bem entender. Todavia, todos temos o dever de eleger pessoas sérias e verdadeiras, ainda que politicamente sejam citadas como suspeitas. Para os extremistas, Lula da Silva sempre será suspeito. Santo é seu adversário, Flávio Bolsonaro, que jura de pés juntos que a bolada de milhões de Vorcaro para financiar o filme sobre o pau é dinheiro privado.

“Não tem nada de público”. Como não, cara pálida? Os tais milhões foram desviados por Vorcaro de fundos de pensão de estados e municípios e do Banco Regional de Brasília (BRB), ou seja, nada é privado. Lula é ladrão, mas é o candidato da patriotada que, conforme suspeitas da Polícia Federal, cometeu pelo menos três crimes: evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. Com a segurança e a inviolabilidade atestadas pelo mundo, as urnas dirão na noite de 4 de outubro qual dos candidatos merece o céu como testemunha.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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