STF tem ministros perto da gilhotina e da forca

Redação
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@donairena13 - Foto de Arquivo

Há muito tempo, a República não tinha um domingo tão agitado como este. Em pleno dia de descanso, ministros do STF trabalharam freneticamente e chegaram a trocar recados por meio de despachos. Alexandre de Moraes pediu a Edson Fachin acesso a um processo que estava sob sigilo e que, segundo ele, contém informações importantes para o julgamento de terça-feira. Cristiano Zanin foi ainda mais direto: determinou que a Polícia Federal entregasse ao seu gabinete a íntegra dos dados do celular de Daniel Vorcaro e afirmou que não existe hierarquia entre os ministros do Supremo.

Edson Fachin, presidente da Corte, passou o fim de semana tentando administrar uma crise que parece ganhar um capítulo novo a cada hora. André Mendonça reagiu à possibilidade de abertura integral do celular de Vorcaro, dizendo que isso poderia tumultuar o julgamento, enquanto Zanin e Moraes defenderam que todos os ministros tenham acesso ao mesmo material. Flávio Dino também trabalhou neste domingo e retirou o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo relacionada à produtora do filme “Dark Horse”, determinando o compartilhamento das informações com a Polícia Federal.

Se o domingo já foi assim, a sessão de terça-feira promete ser animada. O plenário vai discutir justamente a abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes por causa de suas relações e das mensagens envolvendo Daniel Vorcaro. Com ministros divergindo publicamente, despachos respondendo a outros despachos e novas informações aparecendo às vésperas do julgamento, é difícil imaginar uma sessão tranquila. O STF chega à terça-feira com todos os holofotes voltados para ele.

Em tese, a sessão de terça-feira no STF será sobre Alexandre de Moraes. Os ministros deverão decidir se foi legal a ordem de André Mendonça que aprofundou a análise do celular de Daniel Vorcaro, se o material produzido pela Polícia Federal é válido e se as informações encontradas podem justificar a abertura de uma investigação contra Moraes. A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do procedimento, alegando que Mendonça buscou provas contra outro ministro sem consultar previamente a Presidência do Supremo e o plenário.

Na prática, porém, todas as atenções deverão se voltar para André Mendonça. Há suspeitas significativas de que o ministro tenha agido politicamente para proteger Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e integrantes do mesmo grupo político. Sua forma de conduzir as investigações, a divulgação seletiva de informações e as decisões tomadas contra a direção da Polícia Federal provocaram questionamentos dentro e fora do tribunal. Mesmo que Mendonça não seja formalmente o alvo da sessão, sua atuação estará inevitavelmente sob julgamento.

Também faltam explicações convincentes sobre o Instituto Iter, do qual Mendonça e sua esposa eram sócios até poucos dias atrás. A instituição firmou contratos milionários com órgãos públicos, a maioria por contratação direta, sem licitação. Mendonça afirma que nunca recebeu lucros e anunciou que deixaria a sociedade, mas as dúvidas permanecem. Parece evidente que os demais ministros poderão explorar todas essas fragilidades durante a sessão. Por isso, terça-feira pode começar com Alexandre de Moraes no centro da pauta, mas terminar com André Mendonça no centro do debate.

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