PROPOSTA
Hoje vamos propor um ensaio; um experimento de criação e forma concreta visual de texto.
*Criação cultural e forma visual/concreta do texto no espaço gráfico; é um só texto proposto de duas maneiras: primeiro sem qualquer pontuação sinalagmática deixando correr o ‘fluxo de consciência’ ordenado apenas pelo leitor, pelo desejo de quem lê (possibilidade desconstruções e várias reinterpretações); e na sequência o mesmo texto “fatiado” em blocos, ordenado pela “ditadura” do autor”
(Gilberto Motta)
A FORMA TEXTO/CONFUSÃO
clareia noite pariu o dia as aracuãs namoram na minha janela enquanto o Sol chega de mansinho morninho morninho trazendo o contraste das formas a definição da vida que gira e gira na pista das estrelas o universo de rotas traçadas com lápis de giz de cera em papel crepom rabiscando antigas e novas civilizações como num filme distópico cravado de enredos velozes multifacetados o espaço é infinito sem eira nem beira na dimensão de mundos a serem descobertos pilotando a nave louca em busca de luz no breu das galáxias e la nave vá e tudo gira e a vida segue e sempre seguirá como uma batida perfeita do violão de João Gilberto em harmonias ou um verso de João Cabral de Melo Neto ou um drible-invenção de Garrincha na saga da velha rixa entre a saúva e o Brasil naquela hora decisiva Pagu Oswald de Andrade Dercy Gonçalves Elza Soares e Zé Celso se abraçam no Oficina e reinventam a nossa sina de alucinados errantes babantes antes bem antes ÃÃÃ Hermeto sopra a chaleira genial e Paulo Freire educa marcianos e venusianos saídos de outra S-fiction o som orienta as rotas e as trilhas da Nova Era misturando notas bemóis sustenidas diapasão de desafios desafinados dentro e fora do tom nestas veredas grande Ser-tão de João já não há mais métricas apenas confusão confissão sem pontuação ÃO

A FORMA TEXTO/VERSO DOMINADO
Clareia, noite pariu o dia,
as aracuãs namoram na minha janela
enquanto o Sol chega de mansinho
morninho, morninho …
trazendo o contraste das formas, definição da vida
que gira e gira na pista das estrelas;
o universo de rotas traçadas com lápis de giz de cera em papel crepom,
rabiscando antigas e novas civilizações
como num filme distópico
cravado de enredos velozes multifacetados.
O espaço é infinito, sem eira nem beira,
na dimensão de mundos a serem descobertos,
pilotando a nave louca em busca de luz no breu das galáxias
e la nave vá e tudo gira e a vida segue
e sempre seguirá, como uma batida perfeita do violão de João Gilberto,
em harmonias ou um verso de João Cabral de Melo Neto
ou um drible-invenção de Garrincha,
na saga da velha rixa entre a saúva e o Brasil,
naquela hora decisiva:
Pagu Oswald de Andrade Dercy Gonçalves Elza Soares e Zé Celso
se abraçam no Oficina
e reinventam a nossa sina
de alucinados errantes-babantes antes…
bem antes…
ÃÃÃ ?
Hermeto sopra a chaleira genial
e Paulo Freire educa marcianos e venusianos saídos de outra S-fiction;
o som orienta as rotas e as trilhas da Nova Era
misturando notas bemóis sustenidas,
diapasão de desafios desafinados dentro e fora do tom
nestas veredas grande Ser-tão de João.
Já não há mais métricas, apenas confusão:
confissão sem pontuação…
ÃO!
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, poeta, pesquisador de mundos e inventor de instigantes confusões. Vive na vila de pescadores, turistas e outros transgressores, no litoral Sul de SC.

