Literatura de provocação

Eduardo Martínez
4 minutos de leitura
Gilberto Motta - Texto e Foto

PROPOSTA

Hoje vamos propor um ensaio; um experimento de criação e forma concreta visual de texto.

*Criação cultural e forma visual/concreta do texto no espaço gráfico; é um só texto proposto de duas maneiras: primeiro sem qualquer pontuação sinalagmática deixando correr o ‘fluxo de consciência’ ordenado apenas pelo leitor, pelo desejo de quem lê (possibilidade desconstruções e várias reinterpretações); e na sequência o mesmo texto “fatiado” em blocos, ordenado pela “ditadura” do autor”

(Gilberto Motta)

A FORMA TEXTO/CONFUSÃO

clareia noite pariu o dia as aracuãs namoram na minha janela enquanto o Sol chega de mansinho morninho morninho trazendo o contraste das formas a definição da vida que gira e gira na pista das estrelas o universo de rotas traçadas com lápis de giz de cera em papel crepom rabiscando antigas e novas civilizações como num filme distópico cravado de enredos velozes multifacetados o espaço é infinito sem eira nem beira na dimensão de mundos a serem descobertos pilotando a nave louca em busca de luz no breu das galáxias e la nave vá e tudo gira e a vida segue e sempre seguirá como uma batida perfeita do violão de João Gilberto em harmonias ou um verso de João Cabral de Melo Neto ou um drible-invenção de Garrincha na saga da velha rixa entre a saúva e o Brasil naquela hora decisiva Pagu Oswald de Andrade Dercy Gonçalves Elza Soares e Zé Celso se abraçam no Oficina e reinventam a nossa sina de alucinados errantes babantes antes bem antes ÃÃÃ Hermeto sopra a chaleira genial e Paulo Freire educa marcianos e venusianos saídos de outra S-fiction o som orienta as rotas e as trilhas da Nova Era misturando notas bemóis sustenidas diapasão de desafios desafinados dentro e fora do tom nestas veredas grande Ser-tão de João já não há mais métricas apenas confusão confissão sem pontuação ÃO

A FORMA TEXTO/VERSO DOMINADO

Clareia, noite pariu o dia,

as aracuãs namoram na minha janela

enquanto o Sol chega de mansinho

morninho, morninho …

trazendo o contraste das formas, definição da vida

que gira e gira na pista das estrelas;

o universo de rotas traçadas com lápis de giz de cera em papel crepom,

rabiscando antigas e novas civilizações

como num filme distópico

cravado de enredos velozes multifacetados.

O espaço é infinito, sem eira nem beira,

na dimensão de mundos a serem descobertos,

pilotando a nave louca em busca de luz no breu das galáxias

e la nave vá e tudo gira e a vida segue

e sempre seguirá, como uma batida perfeita do violão de João Gilberto,

em harmonias ou um verso de João Cabral de Melo Neto

ou um drible-invenção de Garrincha,

na saga da velha rixa entre a saúva e o Brasil,

naquela hora decisiva:

Pagu Oswald de Andrade Dercy Gonçalves Elza Soares e Zé Celso

se abraçam no Oficina

e reinventam a nossa sina

de alucinados errantes-babantes antes…

bem antes…

ÃÃÃ ?

Hermeto sopra a chaleira genial

e Paulo Freire educa marcianos e venusianos saídos de outra S-fiction;

o som orienta as rotas e as trilhas da Nova Era

misturando notas bemóis sustenidas,

diapasão de desafios desafinados dentro e fora do tom

nestas veredas grande Ser-tão de João.

Já não há mais métricas, apenas confusão:

confissão sem pontuação…

ÃO!

……………..

Gilberto Motta é escritor, jornalista, poeta, pesquisador de mundos e inventor de instigantes confusões. Vive na vila de pescadores, turistas e outros transgressores, no litoral Sul de SC.

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