Saiba como proteger seu pet da sarna de ouvido

Eduardo Martínez
6 minutos de leitura
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

Um problema muito comum, altamente contagioso e que tira o sono de cães e gatos atende pelo nome científico de sarna otodécica. Popularmente conhecida como sarna de ouvido ou otoacaríase, essa infecção parasitária afeta o conduto auditivo dos animais. Apesar de não ser considerada uma doença de extrema gravidade, ela gera um incômodo profundo e prejudica gravemente o bem-estar e a qualidade de vida dos animais de estimação.

O grande vilão dessa história é o Otodectes cynotis, um ácaro microscópico que escolhe o ouvido dos pets como morada. Diferente de outros parasitas que cavam túneis sob a pele, esse tipo de ácaro se espalha pela superfície do conduto auditivo. Ele passa todo o seu ciclo de vida ali dentro, alimentando-se ativamente de restos de pele, sangue e linfa do hospedeiro, o que gera uma reação inflamatória severa.

Por ser extremamente ativo e agitado, o parasita provoca uma coceira praticamente insuportável no animal. Esse movimento constante lesiona a pele sensível da região e estimula as glândulas a produzirem cerúmen em excesso. O resultado é o surgimento de placas escuras, com aspecto que lembra borra de café, acompanhadas por um odor forte e muito desagradável na orelha do pet.

Embora o ácaro seja microscópico, quando a infestação está muito avançada é possível observar pequenas estruturas esbranquiçadas se mexendo em meio à sujeira. A transmissão acontece de forma rápida e direta, bastando o contato próximo entre um animal contaminado e um saudável. O contágio também ocorre por vias indiretas, como o compartilhamento de caminhas, cobertores, comedouros e brinquedos.

Casas com múltiplos pets ou abrigos de animais são os locais mais propícios para surtos da doença. Gatos costumam manifestar o problema de forma ainda mais intensa, sendo a sarna responsável por metade dos casos de otite na espécie. Cães filhotes ou animais que já estão debilitados por desnutrição e outras doenças também são alvos fáceis e tendem a desenvolver quadros mais severos.

Uma dúvida muito frequente entre os tutores é se a sarna de ouvido pode passar para os seres humanos. A resposta trará alívio: o contágio em humanos é extremamente raro, pois o ácaro não consegue se reproduzir na nossa pele. No máximo, o contato direto e prolongado com o pet infectado pode causar uma dermatite leve e temporária na pessoa, caracterizada por coceira, que costuma sumir sozinha sem a necessidade de tratamentos complexos.

O sinal de alerta mais claro para o tutor é o comportamento do pet, que passa a chacoalhar a cabeça repetidamente e a coçar a região com as patas traseiras. O desespero para aliviar o incômodo faz com que o animal esfregue as orelhas no chão ou nas paredes. Esse ato contínuo cria feridas e crostas ao redor das orelhas e no pescoço, abrindo portas para infecções secundárias por bactérias ou fungos.

Em casos crônicos e sem tratamento, o chacoalhar violento da cabeça pode romper vasos sanguíneos internos da orelha. Isso causa o chamado otohematoma, uma complicação em que a cartilagem da orelha fica inchada e cheia de sangue, exigindo correção cirúrgica. Infelizmente, a maioria dos tutores só percebe o problema quando a infestação já está avançada e surgem essas lesões maiores, reforçando a importância de consultas veterinárias periódicas.

Ao notar os primeiros sintomas de coceira, o tutor deve agendar uma consulta e evitar um erro muito comum: limpar as orelhas do animal antes de levá-lo ao veterinário. Remover a sujeira de casa dificulta a visualização do ácaro pelo profissional, atrapalhando o diagnóstico. No consultório, o especialista recolhe uma amostra da cera com um swab e, com o uso de microscópio ou otoscópio, confirma a presença dos parasitas vivos se movimentando.

O tratamento pode durar até um mês e exige disciplina, combinando o uso de antiparasitários sistêmicos com medicamentos tópicos para aliviar a inflamação. A higienização adequada do conduto auditivo é a grande chave para o sucesso do processo. O acúmulo de cerúmen impede que os remédios cheguem até a pele para eliminar os ácaros, além de favorecer a proliferação de outros microrganismos nocivos.

Para realizar a limpeza correta, o tutor deve aplicar o produto específico recomendado pelo veterinário e massagear bem a base da orelha. Após aguardar de 10 a 15 minutos para amolecer as placas de cera, deve-se remover a sujeira de dentro para fora usando apenas algodão e o próprio dedo. O foco deve ser a parte externa e visível do ouvido, sem pressionar a região e sem utilizar pinças ou hastes flexíveis, que oferecem risco de perfuração do tímpano.

Por fim, os cuidados precisam ser estendidos para além do pet doente. Como o ácaro é altamente contagioso, se houver outros cães ou gatos na casa, todos devem receber o tratamento antiparasitário simultaneamente, mesmo que não apresentem sintomas. Em paralelo, é indispensável lavar caminhas, tapetes e brinquedos com água quente e desinfetante para eliminar os parasitas do ambiente e garantir que o pet fique totalmente livre do problema.

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