A moça no caixa do Lidl… 11 da manhã… Oliveira de Azeméis city…
Estava calor, então entrei no Lidl.
Lá em Oliveira de Azeméis, a terra pacata onde tudo é verdes…
Fui buscar uma Sumol e umas vitaminas para colocar o organismo vivo que isto de andar a comer sandes torna a gente num bacalhau seco a dizer mi mi.
E ás tantas, reparei no olhar da mulher no caixa do Lidl.
Simpática, talvez ás 3 da manhã de hoje ainda a preparar a marmita para o almoço meia a sonhar com o leite condensado que provou ouvindo rádio e, sorridente, diz-me assim:
3 euros e 70.
Concordei com ela.
O preço é barato para tanta vitamina ó moça de Chão de Ave.
Ainda hoje de manhã acordaste cedo e tomaste banho antes de dar de comer ao teu filho meio rejeitado pelos teus pais pois ó moça não temos dinheiro para o filho desse Tó que te traiu e fugiu para França de camião semitrailer meio cara de Michelin manhoso a gritar sempre contigo ao volante depois do tinto bem regado numa choça qualquer em Espanha e três maços fumados a ouvir o Real Madrid num rádio made in Taiwan.
Olhei para ela:
Sabe, eu já estive no lugar onde você trabalha hoje.
Á, sim?
Sim… estive aí pois o meu pai disse-me que trabalhar num supermercado iria dar-me juízo suficiente. Isso iria fazer-me sair da minha zona de conforto e pagar por mim as minhas propinas na Universidade de Aveiro e…
Já estou cá á muito tempo.
Vocês têm uma estratégia organizacional boa pois cada pessoa faz várias funções no hipermercado havendo assim uma fuga á rotina.
Sorrimos…
Saí do supermercado ainda a ver o sorriso simpático dela.
Entrei no carro e fui para Casaldelo, a toda a velocidade…
Mais tarde ela veio a ser minha leitora…
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Castro Oliveira é um escritor português.

