A moça do caixa

Eduardo Martínez
2 minutos de leitura
Castro Oliveira - Foto Francisco Filipino

A moça no caixa do Lidl… 11 da manhã… Oliveira de Azeméis city…

Estava calor, então entrei no Lidl.

Lá em Oliveira de Azeméis, a terra pacata onde tudo é verdes…

Fui buscar uma Sumol e umas vitaminas para colocar o organismo vivo que isto de andar a comer sandes torna a gente num bacalhau seco a dizer mi mi.

E ás tantas, reparei no olhar da mulher no caixa do Lidl.

Simpática, talvez ás 3 da manhã de hoje ainda a preparar a marmita para o almoço meia a sonhar com o leite condensado que provou ouvindo rádio e, sorridente, diz-me assim:

3 euros e 70.

Concordei com ela.

O preço é barato para tanta vitamina ó moça de Chão de Ave.

Ainda hoje de manhã acordaste cedo e tomaste banho antes de dar de comer ao teu filho meio rejeitado pelos teus pais pois ó moça não temos dinheiro para o filho desse Tó que te traiu e fugiu para França de camião semitrailer meio cara de Michelin manhoso a gritar sempre contigo ao volante depois do tinto bem regado numa choça qualquer em Espanha e três maços fumados a ouvir o Real Madrid num rádio made in Taiwan.

Olhei para ela:

Sabe, eu já estive no lugar onde você trabalha hoje.

Á, sim?

Sim… estive aí pois o meu pai disse-me que trabalhar num supermercado iria dar-me juízo suficiente. Isso iria fazer-me sair da minha zona de conforto e pagar por mim as minhas propinas na Universidade de Aveiro e…

Já estou cá á muito tempo.

Vocês têm uma estratégia organizacional boa pois cada pessoa faz várias funções no hipermercado havendo assim uma fuga á rotina.

Sorrimos…

Saí do supermercado ainda a ver o sorriso simpático dela.

Entrei no carro e fui para Casaldelo, a toda a velocidade…

Mais tarde ela veio a ser minha leitora…

…………………

Castro Oliveira é um escritor português.

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