Trovas

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Houve um certo camarada
Que enfrentou rude prova:
Em prosa, não dizia nada;
Só falava por meio da trova.

Suas rimas, engraçadas
Ou profundas, contagiaram
Os carinhas da tigrada,
Que logo, logo o imitaram

Ou pelo menos tentaram.
Mas seus versos, bem chinfrins,
Eram uma desgraça sem nome,
Com rimas tipo assim:

Amor e dor, adeus e Deus
(Muita trova religiosa).
Era algo abominável,
Era uma coisa horrorosa.

Havia erotismo e humor
Nos versos dele; mas a tigrada
Mergulhada no estupor
Não dizia nada com nada.

Não por acaso, Platão
Decidiu proibir os poetas
Em sua República;
Que a tigrada, analfabeta

Não merece melhor destino;
E tenta, mas o desatino
Desponta como algo mofino
Que a deixa longe da meta.

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