Houve um certo camarada
Que enfrentou rude prova:
Em prosa, não dizia nada;
Só falava por meio da trova.
Suas rimas, engraçadas
Ou profundas, contagiaram
Os carinhas da tigrada,
Que logo, logo o imitaram
Ou pelo menos tentaram.
Mas seus versos, bem chinfrins,
Eram uma desgraça sem nome,
Com rimas tipo assim:
Amor e dor, adeus e Deus
(Muita trova religiosa).
Era algo abominável,
Era uma coisa horrorosa.
Havia erotismo e humor
Nos versos dele; mas a tigrada
Mergulhada no estupor
Não dizia nada com nada.
Não por acaso, Platão
Decidiu proibir os poetas
Em sua República;
Que a tigrada, analfabeta
Não merece melhor destino;
E tenta, mas o desatino
Desponta como algo mofino
Que a deixa longe da meta.

