Está no ar a semana decisiva do novelão chamado de eleição presidencial. Às vésperas do dia em que os cerca de 160 milhões de eleitores decidirão o que querem para o Brasil nos próximos quatro anos, o que os anjos, mitos, pensadores e eleitores com um mínimo de consciência podem dizer é que qualquer escolha errada pode ser fatal para 213 milhões de brasileiros. Portanto, pensemos bem de hoje até domingo para que tenhamos um amanhã melhor ou pelo menos igual ao que foi ontem.
Como estabelece o novo e chato modismo da praça, não é sobre direita, esquerda ou centro. É sobre candidatos, projetos, ideias e, sobretudo, atestado comprobatório de quase honestidade. Para os políticos dessa quadra, exigir honestidade total é, além de exagero, uma comprovada utopia. Rogo a Nossa Senhora Aparecida para que vença a democracia. Entretanto, como cidadão que preza pela liberdade democrática, pouco me importa que o presidente eleito seja de um espectro político contrário ao que defendo e que pense diferente do que penso sobre a política nacional.
Independentemente de sua simpatia partidária, ele terá de agir como presidente de todos os brasileiros, entender a democracia como o melhor caminho a ser seguido e que, acima dos antagonismos ideológicos, se preocupe com o bem-estar de toda a população. Entre verdades e mentiras, é chegada a hora de todos mostrarem a cara, inclusive e principalmente os que se dizem a favor das liberdades. Lacradas e guardadas as urnas eletrônicas, o Brasil varonil terá um presidente da República eleito secreta e soberanamente.
Que o ódio seja recolhido e que voltemos a ter esperança de unificação civilizada entre os vários brasis criados a partir da perversa e idiotizada polarização, cuja base, seja política ou religiosa, não habita a mesma sala da inteligência. Desde a estupidez da polarização, a discussão a respeito do futuro do país passou a ser exclusivamente sobre o sobre. Não sobre o sobre que a meninada do meu tempo disputava quando as avós matavam uma de suas galinhas poedeiras. Hoje o sobre serve para tudo, menos para discutir o que realmente interessa.
Por exemplo, o debate presidencial não deveria ser sobre a manutenção da direita, sobre as nada republicanas intenções da extrema-direita, a fragilidade do centro como poder político isolado, tampouco sobre as perspectivas de futuro para a esquerda sem Luiz Inácio Lula da Silva. O sobre mais importante é o futuro do Brasil como nação democrática, soberana e livre de interferências externas. O resto é conversa fiada dos que não têm pressa em acabar ou pelo menos minimizar as mazelas do país.
Quem são esses? Todos os que se associaram àqueles que veem o Brasil como um galinheiro lotado de galinhas dos ovos de ouro. Sobre o futuro brasileiro, antes de qualquer coisa, vale atentarmos para o grupo de pessoas nocivas que o país produziu nos últimos anos. É sobre elas que deveríamos discutir. Caso os poderosos continuem nos dividindo, não haverá mais 2030, não teremos mais o Brasil como nação democrática, muito menos sobre algum para debatermos. Sobre o que realmente interessa, peço à Nossa Senhora Aparecida que interceda pelos brasileiros que só querem paz e liberdade para continuar escolhendo seus presidentes. É sobre isso precisamos pensar.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

