Líder do campeonato, de público e de renda, com a defesa menos vazada, o melhor ataque da disputa, fôlego novo, religião conhecida e nunca negada e “dono” de uma inflamada e consolidada torcida, por que o time que representa multidões no Brasil e no exterior deveria jogar uma partida nada amistosa com equipes da segunda divisão? É tudo que os da Série B querem. Enfim, ir ou não ir ao debate com Flávio Bolsonaro é a nova questão, algo como uma prova dos nove para Luiz Inácio Lula da Silva.
Na reta final do certame, seria a grande oportunidade dos que seguem o líder para desqualificar a equipe que tenta o tetracampeonato. Por isso, fosse eu o técnico do escrete com jardas à frente do concorrente principal, não iria e aguardaria o fim do certame, marcado para o próximo domingo, dia 4 de outubro. Metáforas futebolísticas à parte e independentemente de minha predileção político-partidária, se pudesse informaria ao candidato da esquerda sobre a desnecessidade de participar do debate da Rede Globo de Televisão.
Primeiro por se tratar da Rede Globo, emissora cuja atuação contra Luiz Inácio normalmente é de ataques da zona da cintura para cima. Depois, na semana em que se debate a proibição das bets, inclusive da Betano, patrocinadora master de alguns dos canais esportivos do grupo, a marca do pênalti certamente estaria renovada, lubrificada e como duplas ou triplas camadas de cal. Tudo para que os opositores saibam qual é a bola da vez.
Debater o que com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury, o novo padre Kelmon da eleição presidencial? Que projetos eles têm para confrontar um presidente com história e três mandatos? Falando sério, como faltam propostas a seus adversários, o concorrente à reeleição ficará à mercê de acertos entre os iguais, de ataques pessoais e de provocações comuns àqueles que, desde o início, transformaram o palco eleitoral em um picadeiro.
Qual a vantagem de Lula nesse debate? Ficar gratuitamente na berlinda composta majoritariamente por azarões é o mesmo que adentrar nu na jaula de um leão faminto. Querer virar alvo principal de múltiplas hienas faltando alguns dias para a semifinal eleitoral é se expor demais a caneladas, botinadas, pontapés e voadoras de sacis pererês cegos e sem muletas. Na condição de simples torcedor, faria pouco caso do “desafio” do candidato da extrema-direita e antecipadamente o convidaria para um tête-à-tête no segundo turno.
Aí o debate seria lógico, neutro e com regras difíceis de serem burladas até mesmo pela emissora que nunca negou a acusação de ter manipulado o debate presidencial de 1989 em favor de Fernando Collor e contra Lula da Silva. Sempre contra Lula. Que o duelo da segunda volta eleitoral seja marcado antes do pôr do sol, de modo que não haja críticas e nem dúvidas a respeito de quem tremeu e daquele que, após a batalha, entrou no bar e no bar bebeu.
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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

