Debate pífio sem projetos faz da eleição de 2026 o pior ano da história do país

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Valter Campanato

Nunca na história deste país, nem mesmo nos sonhos mais depravados de cada um dos 213,2 milhões de brasileiros, alguém imaginou viver uma situação eleitoral com esta de 2026. Com interferências virtuais e de grupos empresariais, notadamente os de comunicação, escândalos em um tribunal superior, marmotas e passionalidade em outro, as eleições presidenciais deste ano foram as piores, as mais sombrias e menos sóbrias de toda a história do Brasil.

Sem margem de erros à direita ou à esquerda, podemos assegurar que o pleito a ser encerrado no próximo domingo, dia 25, será o mais tenebroso de todos os tempos. Daqui a 100 ou 200 anos, certamente os jovens se lembrarão da eleição da vergonha. Por isso, caso realmente pense em governar de forma séria e com devoção somente ao povo, venha de onde vier, o vencedor terá de transformar seu mandato de quatro ou de cinco anos em um ato revolucionário.

Queira Deus que, se necessário, que seja uma revolução de bons propósitos e, sobretudo, de boas ideias e de projetos voltados para a sustentação da economia, consequentemente para o crescimento da nação e do seu povo. O Brasil está com água acima do pescoço. Estamos a quatro dias de votar e eleger o presidente da República, mas até hoje nada de projetos, nada de propostas, nada de ideias e nada de novidades. É só firulas, caretas, xingamentos, sensacionalismo e fake news no reino do faz de conta.

Diante da pobreza, da degradação e da infantilidade do debate, já dá para imaginar que tipo de país poderemos ter a partir de 2027. Os dois lados permanecerão ativos. A expectativa é qual deles assumirá a realidade da seriedade, deixando para o outro a espetacularização, a pilhéria, a dúvida, o descontrole e a apelação. Os fatos falam por si. Antecipado desde as eleições de 2022, o roteiro de um candidato atacando e outro se defendendo só não era óbvio para aqueles que choram mesmo sem conhecer o defunto.

É a atualidade da política brasileira. Seja à direita, à esquerda e ao centro, não é fácil encontrar um político capaz de dispor de duas ou três horas de seus três dias de trabalho para pensar no progresso do país, na consolidação da democracia e na ascensão social da população. Os que pensam raramente chegam ao poder e, caso consigam, duas saídas lhes restam: sucumbir à corrupção ou serem destruídos pelos desonestos.

Após 41 anos da redemocratização e depois de experimentarmos longos períodos de serenidade política, de democracia plena e de políticos sérios e preocupados exclusivamente com a gestão, o Brasil de 2026 caminha para trás. Do tipo sem destino, o país merecia menos lero-lero, menos desprezo e menos individualismo e mais, muito mais trabalho para minimizar o abismo social. Rogando a Deus por um bom futuro para a nação, mantenho os ouvidos atentos a qualquer burburinho de paz e tolerância e cada vez mais disposto a votar com a cabeça e não com o coração, muito menos com o fígado.

Como os fatos de hoje muitas vezes são fakes, enquanto não chega o dia 25, minha angústia e sobressalto não é com o grito dos maus, mas com o silêncio dos bons. Graças a esses, volta e meia me vem à cabeça o fim da célebre profecia da ex-presidente Dilma Rousseff. O contexto era outro, mas a ideia é a mesma: dependendo de quem ganhar, todos vão perder.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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