Nesse período em que a gente tem sido obrigado a peramglobar e a terminar o dia com cara de desinteria, não custa sair um pouco da órbita do farisaísmo eleitoral para lembrar que, independentemente da idade, da religião e da ideologia, votar é preciso, escamotear o voto e fugir da responsabilidade democrática não é preciso. Votar, portanto, é um ato de cidadania e essencial para impulsionar o funcionamento justo e igualitário da democracia de um país.
Falecido ativista dos direitos civis e membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos dos bons tempos, John Lewis escreveu em uma de suas brilhantes dissertações sobre a “preciosidade do voto”. Segundo ele, o ato de votar é a ferramenta não violenta mais poderosa à disposição de uma sociedade democrática. Mais enfática, a ex-primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, é de opinião que só votando, votando e votando é que o povo consegue avançar.
Considerando que as duas vozes vêm da maior democracia do mundo, está claro que, no Brasil, não basta apenas que queiramos mudanças. Todos precisamos ter consciência de que as mudanças só virão a partir do voto sério e sem amarras. Parafraseando o líder norte-americano Martin Luther King Jr., nossas vidas começam a mudar no dia em que deixamos de nos calar sobre as coisas que importam. Notadamente no Brasil, nossas vozes só são ouvidas no período eleitoral.
Como quem sabe faz a hora, a hora é agora de recorrermos às urnas para mostrar a força que temos. Não há necessidade de sermões pastorais ou de ladainhas de políticos oportunistas para que tenhamos convicção de que todos nós podemos ter sido criados iguais, mas nunca seremos realmente iguais até que todos votemos com o mesmo ideal de brasilidade, de patriotismo acima de promessas de vantagens pessoais, as quais normalmente caem no esquecimento.
No ato de votar estão implícitos nossos valores e nossas vozes. Na prática, o voto é um lembrete aos políticos de que, seja pobre, rico, de direita, esquerda ou de centro, qualquer brasileiro apto importa e merece ser ouvido. Votar significa mostrar a nós mesmos que o presente do povo e o futuro do país dependem de nossas boas escolhas. E verdadeiramente dependem. Resumindo, escolher bem é a única maneira de termos certeza do futuro que vamos ter.
Mais forte do que a bala de um fuzil, o voto tem o poder de fazer a diferença. E como tem, mas precisamos votar e não votar pensando só em si, mas, principalmente, na coletividade. em frente à urna eletrônica, o mais importante é a consciência. Lembremos sempre que o voto sem as vísceras e longe do bolso é o único que o candidato corrupto não consegue comprar, pois ele só se conquista com a verdade.
Como cada voto é uma sentença, não devemos esquecer que é a consciência que reflete a nossa liberdade de pensar. Por um mundo menos fantasioso, mais igualitário e no qual ninguém mais acredite na metade da laranja, sejamos livres e capazes de dar um passo certeiro na direção do futuro que sonhamos. A conta é simples: voto bem pensado + voto consciente = voto responsável. É disso que o povo precisa. É isso que o Brasil implora.
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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

