Numérica e festivamente reverenciado, o dobro do 13, a segunda-feira 26 de outubro de 2026, passará para a história do Brasil como o dia em que a verdade venceu a mentira. Nessa inesquecível data, o presidente Lula da Silva esqueceu que já tinha a seu favor os votos dos amigos, dos aliados e dos fiéis eleitores e resolveu descer a ladeira. Publicamente, ele tirou a sandália da humildade, subiu nas tamancas, ouviu seu novo guru, o deputado federal André Janones (Rede-MG), e partiu para o ataque com as mesmas armas com as quais foi atacado a campanha inteira.
O resultado foi o que se viu. O presidente reeleito teve ampla maioria de votos em 2.875 dos 5.570 municípios brasileiros e conseguiu reduzir a diferença até mesmo nas cidades em que havia perdido no segundo turno. Quanto ao senador Flávio Bolsonaro, diz o velho ditado que aquele que com ferro fere um dia com ferro será ferido. Domingo foi o dia da caça contra o caçador. Lula usou das mesmas armas, as redes sociais, para mostrar ao distinto público quem realmente era seu adversário. Mostrou e o derrotou.
Jogado à cova do leão pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio comprovadamente não tem a necessária competência para desafiar uma figura política da expressão e do peso de Lula da Silva. Apesar de passar boa parte da campanha nas cordas, o líder do petismo contrariou algumas previsões de matemáticos e todas as de sensitivos de programas globais e entrou definitivamente em campo quando a petulância, a arrogância, a agressividade e o deboche do adversário ocuparam o lugar do bom senso de um presidenciável.
Para quem não se lembra, com apoio decisivo de Janones, Lula ressurgiu das cinzas na noite do debate da Band, ocasião em que, para milhões de eleitores, Flávio Bolsonaro se apresentou como personagem sem dignidade para assumir a honrosa e disputada função de presidente da República. E agora, meu caro filho do Jair? O que fazer a partir de fevereiro de 2027, quando, além de perder o título de excelência, o desafiante de Lula ficará sem cargo, sem foro privilegiado e, agora, sem o passaporte?
Dirão os mais chegados do clã e os bolsonaristas mais otimistas que não há o que temer. Leigo em matéria penal, mas craque na lei de causa e efeito, eu não diria, tampouco pensaria o mesmo. Sem imunidade, Flávio Bolsonaro terá a Polícia Federal nos calcanhares e, portanto, corre o mesmo risco do pai. Em dois dos três inquéritos nos quais ele é investigado no Supremo Tribunal Federal, dois são relativos a suspeitas de lavagem de dinheiro e de envolvimento com o advogado Willer Tomaz.
Em um deles, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou movimentações atípicas de R$ 1,3 milhão nas contas do senador entre janeiro e março de 2024. Estaria tudo mais ou menos não fosse o ministro Alexandre de Moraes o relator do inquérito que associa Flávio a Willer Tomaz. É a tal lei de causa e efeito. Vítima do ódio mortal do senador, Xandão pode até cair em desgraça, mas certamente não se sentará em cima do processo contra seu derrotado algoz.
Embora não seja do meu desejo, restará ao senador Flávio Bolsonaro o mesmo caminho do irmão Eduardo: a trilha antecipada do aeroporto. Em terminologia quase policialesca, ficar ou não ficar, eis a questão! Ficar e ter de responder à lei ou se escafeder temporariamente para voltar na marra daqui a dois anos, quando Donald Trump for jubilado do governo dos EUA? A escolha é exclusivamente dele. Quanto ao 13, tudo dentro da normalidade. Com todos os 7 de Setembro, o 17 e o 22 terão de engoli-lo.
……
Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

