Lula e Roosevelt, únicos chefes de Estado tetras

Redação
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Armando Cardoso - Foto Rafa Neddermeyer

De vencedor improvável até o resultado da primeira urna eletrônica, Luiz Inácio Lula da Silva precisou de pouco menos de 20 minutos para consolidar uma vitória que estremeceu impérios, incomodou presidentes imbecilizados e manipulados, inquietou repúblicas de bananas comandadas por bananeiros de penteados extravagantes e colocou de molho as barbas de governadores, deputados e senadores que se achavam donos do mundo desde o dia 5 de outubro, data do primeiro turno das eleições.

E não foi a vitória de um nanico qualquer, mas de um gigante sobre um que chegou a achar que poderia se sobrepor à experiência, à inteligência política e, principalmente, à sabedoria popular. Lula da Silva não ganhou por 1 a 0 ou 2 a 1. A distância no placar ficou bem próxima dos cinco milhões de votos. Portanto, não seriam os sufrágios de duas dúzias e meia de seções eleitorais que mudariam o rumo do jogo, conforme tentou denunciar o adversário que começou a ser derrotado com apenas dez segundos de contagem.

Embora o mundo inteiro, inclusive seus aliados da Justiça Eleitoral, tenha reconhecido a expressiva vitória de Lula, o filho que não conseguiu levar para a família Bolsonaro o segundo diploma de Presidente da República insiste com a tola ameaça de requerer a anulação da eleição ou da chapa vencedora de um pleito que ele só não ganhou porque perdeu por uma diferença de 3,6 pontos percentuais ou 4.4 milhões de votos. Não aceitar a derrota mostra bem o tamanho e a altivez do candidato.

Buscar desculpas onde elas não estão é a maior prova da falta de reação dos fracassados. O próprio Luiz Inácio perdeu algumas eleições e teve coragem de suportar os revezes sem perder o ânimo. Muito mais do que isso, o presidente reeleito nesse domingo (25) deixou escrito na tabuleta de futuros presidenciáveis que quem teme ser vencido tem a certeza da derrota.  Nas entrelinhas de seus discursos após a vitória, o ex-quase derrotado Lula deixou claro para seus eleitores, aliados e adversários que arte de vencer se aprende com os fiascos políticos.

Ao contrário daquele que foi sem nunca ter sido, Lula aprendeu, superou suas próprias dificuldades e, após três ou quatro carpados duplos, chegou a seu quarto diploma presidencial em um regime democrático. Aliás, nesse quesito, o tetra presidente também tem uma larga e inalcançável vantagem em relação ao clã Bolsonaro. Igual a Luiz Inácio, só o norte-americano Franklin D. Roosevelt, único presidente dos Estados Unidos a vencer quatro eleições consecutivas: em 1932, 1936, 1940 e 1944.

Logo após a morte de Roosevelt, em 1945, o Congresso dos EUA aprovou uma emenda constitucional limitando formalmente os presidentes a um máximo de dois mandatos. Como esse impedimento também existe no Brasil, talvez Lula volte somente em 2050. Sobre os números do segundo turno, como todo brasileiro com um mínimo de consciência, confesso que eu esperava o pior. Entretanto, o que saiu das urnas foi bem pior do que eu esperava. Como eleitor vitorioso, o que posso dizer ao candidato derrotado é que, daqui para frente, é só para trás.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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