Briga Mesquitas/Estadão x Escovão/Metrópoles está virando barril de pólvora

Redação
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José Seabra - Foto de Arquivo

O jornal O Estado de S. Paulo denunciou uma ofensiva do portal Metrópoles contra sua credibilidade editorial, classificando a iniciativa como retaliação às reportagens que revelaram relações comerciais e supostas interferências do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na produção jornalística do site comandado por Lilian Tahan. Segundo o Estadão, a estratégia já teria sido utilizada contra a Folha de S.Paulo e o UOL, também responsáveis pela divulgação de informações sobre os negócios do conglomerado financeiro com empresas de comunicação.

De acordo com o jornal paulista, o Metrópoles, pertencente ao ex-senador Luiz Estevão, condenado por desvio de recursos públicos, utilizou trechos isolados de conversas entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro para insinuar que o banqueiro mantinha influência sobre o Estadão. O conteúdo integral das mensagens, sustenta o jornal, apontaria justamente o contrário: tentativas frustradas de aproximação com a direção do veículo para conter reportagens desfavoráveis ao Banco Master.

Uma das conversas citadas ocorreu em 11 de fevereiro de 2025, semanas antes do anúncio da negociação entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). Na ocasião, Vorcaro teria cobrado de Carneiro uma estratégia para conquistar espaço junto ao Estadão e à Folha. O empresário sugeriu recorrer a Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, como possível intermediário.

Segundo o Estadão, Vorcaro aprovou a proposta e determinou que fosse criado um mecanismo de aproximação e proteção de seus interesses. Ometto, entretanto, declarou ao jornal que não conhece Flávio Carneiro e esclareceu que sua participação em uma operação de debêntures do grupo editorial tinha caráter exclusivamente financeiro, sem qualquer influência sobre a redação.

O Estadão também negou manter relações empresariais ou institucionais com Vorcaro e Carneiro. Informou que, durante cinco anos, o Banco Master adquiriu R$ 1,12 milhão em publicidade e patrocínios no jornal, valores que considera compatíveis com práticas normais do mercado.

Negócios milionários — O ponto central das revelações envolve o volume de recursos negociados entre o Banco Master e o Metrópoles. Conforme mensagens examinadas pelo Estadão, os contratos discutidos entre 2024 e 2025 somariam R$ 51,9 milhões, distribuídos em quatro operações.

Entre elas aparece um patrocínio de R$ 6 milhões envolvendo o Will Bank, instituição pertencente ao conglomerado de Vorcaro, para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2025. Outros contratos mencionados nas conversas tinham valores de R$ 20 milhões, R$ 25 milhões e aproximadamente R$ 900 mil.

O jornal ressalva que as mensagens não permitem identificar a finalidade dos dois contratos de maior valor. As negociações teriam contado com a participação direta de Luiz Estevão e Lilian Tahan. Em uma das conversas, Vorcaro demonstrou especial interesse na manutenção dos acordos com o portal, chegando a rejeitar uma sugestão de redução de valores apresentada por uma executiva do banco.

Suspeitas financeiras — Outra frente da investigação jornalística envolve um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citado pelo Estadão, que identificou R$ 27,7 milhões em pagamentos do Banco Master ao Metrópoles entre o segundo semestre de 2024 e outubro de 2025.

Segundo a reportagem, o órgão apontou transferências posteriores de recursos para empresas ligadas à família de Luiz Estevão, movimentação considerada suspeita por poder representar operações financeiras em benefício de terceiros. A classificação do Coaf, contudo, não constitui, por si só, comprovação de crime.

Interferência editorial — As revelações vão além dos contratos publicitários. Conforme reportagens do Estadão e do UOL mencionadas pelo jornal paulista, mensagens atribuídas a Vorcaro e Lilian Tahan indicariam que o banqueiro teve acesso antecipado a conteúdos jornalísticos do Metrópoles, com possibilidade de sugerir alterações em textos, números e manchetes.

Os diálogos também apontariam participação do banqueiro em uma ofensiva editorial contra Renato Gomes, então diretor do Banco Central, considerado por Vorcaro um obstáculo à aprovação da venda do Master ao BRB.

O Estadão relata ainda que o banqueiro teria discutido estratégias para neutralizar jornalistas responsáveis por reportagens críticas ao banco. Em uma dessas situações, teria sido cogitada a contratação de uma repórter por outro veículo como forma de afastá-la da cobertura investigativa.

Liberdade de imprensa — Para o Estadão, os episódios revelam uma tentativa de utilização de relações comerciais e influência econômica para interferir na atividade jornalística. O jornal sustenta que a ofensiva do Metrópoles procura deslocar o foco das revelações sobre o Banco Master para questionamentos contra os veículos responsáveis pelas investigações.

O caso reacende o debate sobre os limites entre publicidade, interesses empresariais e independência editorial, especialmente quando instituições financeiras sob investigação mantêm contratos milionários com empresas de comunicação.

As acusações de interferência editorial e retaliação são apresentadas pelo Estadão e dependem da análise integral das mensagens e das manifestações dos envolvidos. O espaço permanece aberto para esclarecimentos do Metrópoles, de Lilian Tahan, de Luiz Estevão e dos demais citados.

Particularmente, Notibras, primeiro portal de notícias produzido a partir de Brasília, entende que, para além da disputa entre dois grandes veículos de comunicação, o episódio coloca em discussão um princípio essencial ao jornalismo: a notícia não pode ser tratada como mercadoria sujeita à vontade de quem paga a conta.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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