O tráfico de drogas perdeu terreno em Ceilândia. Em menos de 48 horas, policiais civis da 15ª Delegacia de Polícia desencadearam duas novas ações da Operação Argus, que resultaram na prisão em flagrante de dois suspeitos de comercializar entorpecentes, de 22 e 38 anos, e na captura de um foragido da Justiça, de 23 anos. As investigações se concentraram na QNN 01, onde a movimentação de usuários e vendedores vinha sendo acompanhada pelos agentes.
A primeira investida ocorreu nas proximidades do Centro de Ensino Fundamental 35. Durante o monitoramento, os investigadores flagraram um jovem de 22 anos negociando drogas em plena via pública, praticamente à sombra dos muros da escola. Uma mulher de 28 anos, identificada como compradora, foi abordada logo depois de deixar o local. Com ela, os policiais encontraram duas porções de crack.
Na sequência, os agentes abordaram o suspeito e apreenderam dinheiro em espécie. Outra porção da droga estava escondida no muro da unidade de ensino, utilizado como esconderijo para abastecer o comércio clandestino. Conduzida à delegacia, a mulher confirmou a compra e revelou que já havia adquirido entorpecentes do mesmo vendedor em ocasiões anteriores.
O jovem recebeu voz de prisão em flagrante por tráfico de drogas, com o agravante de atuar nas imediações de um estabelecimento de ensino. A compradora foi autuada por posse de drogas para consumo pessoal e liberada após assumir o compromisso de comparecer à Justiça quando intimada.
No dia seguinte, a polícia voltou ao mesmo endereço. Dessa vez, os investigadores flagraram um homem de 38 anos vendendo crack a um comprador de 23 anos. A negociação, incluindo a entrega da droga e o pagamento, foi registrada em imagens pelos agentes.
O comprador foi interceptado com uma pedra de crack e confirmou a aquisição. Já com o vendedor, os policiais encontraram dinheiro em espécie, incluindo notas e moedas de pequeno valor, apontadas como indícios da comercialização de entorpecentes. O suspeito acabou preso em flagrante.
A segunda operação, entretanto, reservava uma surpresa. Durante a identificação dos envolvidos na delegacia, os policiais descobriram que o comprador de 23 anos estava na mira da Justiça. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Criminal de Ceilândia, relacionado a um processo por furto qualificado.
Mesmo diante das restrições a prisões no período eleitoral, a equipe realizou consultas ao Tribunal Superior Eleitoral e não encontrou inscrição eleitoral em nome do procurado. Com isso, segundo a polícia, foi formalizado o cumprimento do mandado judicial.
Os dois suspeitos de tráfico poderão responder a penas de cinco a 15 anos de reclusão, além de multa. No caso do jovem de 22 anos, a proximidade com a escola poderá elevar a punição de um sexto a dois terços, conforme prevê a legislação antidrogas.
Os três homens foram encaminhados à Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), permanecendo à disposição do Poder Judiciário.
Olhos contra o crime
O nome da operação não foi escolhido por acaso. Argus é uma referência a Argos Panoptes, figura da mitologia grega conhecida por possuir cem olhos e pela capacidade de manter vigilância permanente.
Na tradição mitológica, Argos era o guardião que dificilmente se deixava surpreender, pois, enquanto alguns de seus olhos descansavam, outros permaneciam atentos.
É essa simbologia que inspira a atuação dos investigadores da 15ª DP. Com observação constante, acompanhamento de suspeitos e ações direcionadas aos pontos de comercialização de drogas, a polícia procura reduzir o espaço de atuação dos traficantes.
Em Ceilândia, a mensagem da Operação Argus é clara: o crime pode tentar se esconder nas esquinas, mas a vigilância policial pretende manter os olhos abertos.

