Tema recorrente nas ruas, supermercados, consultórios, velórios e redações de jornais, rádios e televisões, o futuro do Brasil após as eleições para Presidência da República me parece um debate sem fim. De um lado, há os que defendem a soberania nacional como forma definitiva de garantia da democracia. São os que dizem que os inimigos do país precisam entender de uma vez por todas que nossa soberania não está à venda. De outro, os conservadores indicam a necessidade de uma renovação na gestão pública, com foco na segurança e no combate à corrupção, para assegurar prosperidade à nação.
No meio das duas correntes majoritárias da política nacional está o povo, historicamente frustrado com os políticos que elegem e convictos de que o futuro prometido jamais chegará. Por enquanto, tanto à direita quanto à esquerda, o que se percebe de fato é a divisão dos eleitores em duas classes: instrumentos e inimigos. Nesses dias que antecedem à eleição presidencial, tenho ouvido exaustivamente queixas a respeito da necessidade de se abrir sindicância contra os ministros do Supremo Tribunal Federal que se envolveram com o ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro.
Primeiro, devemos separar o joio do trigo. Se há ministros que não conhecem Vorcaro, têm raiva de quem o conhece e nunca o viram, esses, além de receber troféus e medalhas de bom comportamento, precisam ser vistos como excelências que respeitam a toga acima de preciosas, mas dezenas de encardidos milhões do Banco Master. Por isso, acho que, ao contrário da sede conservadora de impeachment, o Senado, os senadores e demais congressistas de oposição deveriam estar preocupados é com a influência de Vorcaro sobre a Corte e o Parlamento, visto que, tanto lá quanto cá, a maioria é citada
Hoje, depois que o escândalo do Master escorreu pelo Congresso Nacional, inundou o Supremo Tribunal Federal e respingou na Presidência da República, o Brasil inteiro sabe que, apesar da vitaliciedade e da imunidade, não há santos entre as paredes dos Três Poderes. Tanto não há que as portas proibidas para o povo que os elege e que os paga sempre estiveram promiscuamente escancaradas para sua santidade, o reverendíssimo Daniel Vorcaro, provavelmente o maior larápio dos cofres públicos de todos os tempos.
Separados o joio e o trigo, o segundo passo é o eleitor ser informado que são os senadores os responsáveis finais pela indicação e, consequentemente, pelo impeachment dos ministros do STF. Em nome da moral, da decência, dos bons costumes e do patriotismo acima de tudo, as atuais excelências do Senado se acham no direito – não no dever – de exigir a expulsão de determinados ministros da Corte Suprema. Quem sabe isso possa ocorrer depois que eles provarem ao distinto público que são confiáveis, decentes e acima das mesmas suspeitas querem combater.
Conflitos institucionalizados e sem data para acabar, o que fazer? Somente orar não basta. Se há realmente por parte do eleitor alguma preocupação com o futuro político do Brasil, a solução tem de passar pela renovação do Congresso Nacional, notadamente do Senado Federal. As projeções das pesquisas eleitorais indicam que o protagonismo entre os senadores permanecerá com a direita e a extrema-direita. Em outras palavras, a expectativa é de continuidade do equilíbrio entre o Centrão e o PL, com as legendas de esquerda se mantendo como terceira força.
Isso quer dizer que, caso o petismo vença novamente, o presidente terá de “rebolar” ou renunciar às suas convicções ideológicas no momento de negociar questões como o equilíbrio fiscal, a dívida pública, a governabilidade e novas indicações para o Supremo Tribunal, demais tribunais superiores e para a Procuradoria-Geral da República. Vencendo o presidenciável conservador, a tarefa deve ser mais fácil, mas nada tranquila diante de um Congresso fragmentado como deve ser o de 2017. Resta ao eleitor torcer para que vença o presidenciável mais capacitado e para que os caçadores de fantasmas consigam elevar Vorcaro a uma simples visão espiritualista, algo como um ectoplasma.

