Como ervas daninhas, de dois em dois ou de quatro em quatro anos, os políticos ruins brotam nos parlamentos federal, estaduais e municipais. A profusão de parasitas ratifica duas teses muito interessantes. De autoria do eterno Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas Já, o contexto político não é generalista, mas comprova que os parlamentares se superam a cada eleição. Conforme o Dr. Ulysses, o atual Congresso é infinitamente pior e mais pernicioso do que o anterior e dificilmente será melhor do que o próximo. É uma bola de neve.
Voltando no tempo e rebuscando uma famosa e irônica frase dita pelo ex-presidente americano Ronald Reagan, a outra tese confirma que, ao contrário da vã filosofia da maioria dos homens, a política pode até ser a segunda profissão mais antiga do mundo, mas reconhecidamente ela tem “uma semelhança gritante com a primeira”, exercida desde que o mundo é mundo pelas fáceis moças de vida difícil. A associação com esses dois tipos de profissionais não é nova. Aliás, é muito antiga.
A citação mais famosa unindo os termos “prostituta” e política está no célebre poema “O Analfabeto Político”, de 1931, frequentemente atribuído, mas não confirmado, ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O texto completo do poema critica severamente a falta de consciência política indica que, da ignorância política, nascem figuras como a prostituta, o menor abandonado e o político corrupto. Voltando à percepção do deputado Ulysses Guimarães, tudo a ver com o Congresso Nacional de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Ciro Nogueira (PP-PI), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Hugo Motta (Republicanos-PB), entre centenas de outros.
Enfim, o uso da figura da prostituta como analogia ou metáfora crítica é recorrente no debate político nacional e em crônicas sociais para ilustrar distorções morais, contradições institucionais ou discursos de falta ética pública. A semelhança entre os dois “profissionais” é que ambos pertencem à categoria que buscam empregos sem a necessidade de comprovar experiência anterior. A diferença básica é que uma delas vive do povo e só ganha se trabalhar, enquanto a outra nunca trabalha, ganha muito e não aceita fiscalização e cobrança desse mesmo povo.
Já a diferença realista nada tem de poesia, mas pode ser entendida como cultural. Mesmo que não haja amor, as prostitutas retribuem com o prazer temporário ao cliente. Jurando amor infinito, os políticos, normalmente impõem ao eleitorado mais fiel a fidelíssima e eterna escravidão. Coisas do Brasil, país em que só mentirosos e ignorantes “têm orgasmos políticos com seus eleitores”. A narrativa é a prova inconteste de que, se votamos para depender dos políticos, certamente vamos morrer fornicados. Quero dizer…Nada. Todos nós já ouvimos dizer que o Congresso é a casa do povo.
Como nunca acreditei, minha preferência sempre foi pela casa de Dona Joana, próspera proprietária do lupanar Nem Mais Um Passo. Foi lá que me ensinaram que a gente só obrigaria os deputados e senadores a trabalharem no dia em que deixássemos de elegê-los. Como sei que, muito mais do que somente escolher um líder, votar é definir um destino, não voto nos políticos que praticam a prostituição vendendo seus ideais, seu caráter e o respeito próprio por promessas de cargos e de vantagens financeiras na administração pública. Especificamente sobre esses, quanto mais os conheço, mais dou valor à minha criação de patos e de galinhas.

