Homem deve se conter e evitar choro na hora dos exames do Novembro Azul

Redação
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Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

Seja pela quebra de tensão no consultório ou pelo humor popular, consultas e bastidores envolvendo urologistas costumam render ótimas histórias. Batizado e rebatizado com os modernos, deslizantes, inodoros, indolores e graúdos supositórios do dr. Amável Pinto, confesso que meus exames bimestrais – já foram anuais e semestrais – deixaram de ser perrengues ou algo constrangedor. É claro que não existe leveza, mas um companheirismo mútuo capaz de transformar o triste em algo mais agradável do que comparar o toque retal a “bananas” e “rosquinhas”.

Aproveitando mais um Novembro Azul, informo que o primeiro passo durante a primeira sondagem no cano de descarga solta é saber que exame de próstata é igual visita surpresa: se a gente piscar, ela entra sem bater. Depois, é relaxar, dar asas à imaginação e entender que, dentro daquelas quatro paredes, há uma maca e um homem disposto a nos checar e a prechecar tanto à frente quanto atrás. Na verdade, basicamente no rodoanel, logo atrás do Eurotúnel.

Por isso, é sempre bom acompanharmos toda a movimentação das mãos do médico. Preferencialmente, elas devem estar sobre as nossas. Se, durante o toque, as duas estiverem sobre nossos ombros, grite socorro ou apenas cante aquela música que o sertanejo nos ensinou: “Nossa, nossa, assim você me mata”. Considerando que o exame prostático só tira a masculinidade do homem quando ele sai do consultório achando o médico mais ajeitadinho do que na entrada, o ideal é que adentremos o consultório dançando e cantando qualquer música relaxante.

Mais decepcionante do que calmante é lembrar de Leonardo e cantarolar na porta do consultório “Vou chorar, desculpe, mas eu vou chorar…” Na dúvida, sempre vou ao urologista armado. É claro que o uso é só simbólico. Diga-se de passagem, nem tanto. Levo o 38 e recomendo ao doutor para ele atirar em mim a qualquer demonstração de alegria. Sem remorso, vergonha ou preocupação, confesso que estou todo picado. Também não sou daqueles que, diante do pedido para dizer 33, conto de um a 32. Tenho medo de que o suspiro final seja justamente o 33.

Pelo sim, pelo não, a importância do Novembro Azul é coisa séria. Vá ao médico, mas, por favor, se contenha, na hora H, no momento do toque retal. As recomendações dos machos alfas não são tantas, mas todas nos salvam dos falatórios pós-dedada. Por exemplo, não há necessidade de se depilar para a visita íntima. No momento X, Z para alguns, não ponha o dedinho na boca para fazer cara de ingênuo. Na hora H, faça biquinho, mas, mesmo respirando fundo, nunca chame o médico de Seu Coisinha ou de fofo.

Quando o profissional pedir para você tirar a roupa e colocá-la ali, veja se o ali não é sobre as calças e o jaleco dele. O maior perrengue de todos ocorre quando o médico, antes de cravar o minhocão no seu anel rodoviário, lhe chama por um nome que não é o seu e diga, quase sussurrando: “Tomara que você não fique excitado, fulano”. Só depois de coisado é que se percebe que o doutor é o fulano. Esqueça as fofocas e lembre-se apenas que o exame de próstata salva vidas. Vá ao médico, mas nem pense em presenteá-lo com flores ou com um CD com músicas inéditas de Zezé de Camargo. Saiba que a maioria dos urologistas é fã da Urethra Franklin.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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