Roupa suja lavada no STF fica nas mãos de Deus

Redação
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Arimathéia Martins, Foto de Arquivo

Desta segunda, 14, até às 10 horas de terça, 15, horário estabelecido para a sessão de lavagem de roupa suja no Supremo Tribunal Federal, o Brasil, os brasileiros e a própria Corte estarão sob tensão absoluta. Da sala à cozinha do STF, o clima ferve e pode chegar ao plenário em ebulição capaz de cozinhar a alma, o coração, o fígado, as veias e as canetas da maioria dos atuais ministros do Tribunal. A escalada promete crescer ao longo do dia e avançar pela noite.

O resultado e a consequente divulgação do conteúdo total do Iphone de Daniel Vorcaro deve ser o fiel da balança contra Alexandre de Moraes e a prova definitiva de que o articulador geral do STF André Mendonça agiu de forma deliberada para atingir o colega de plenário. Destrinchando o caso, o vento que ventar para um certamente atingirá o outro.

Tendenciosas para alguns e necessárias para outros, as últimas operações determinadas por membros do Tribunal comprovam a tese de que a ruína da Corte ainda não está completa. Nesta segunda-feira (14), o ministro Flávio Dino escancarou sua suposta aliança com Moraes. A seu pedido, a Polícia Federal cumpriu, em São Paulo e em Brasília, mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

Amigo e aliado de André Mendonça, Cezinha foi quem articulou o encontro que Mendonça teve reservadamente em seu gabinete com Daniel Vorcaro. Entre outros ilícitos, o deputado é acusado de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cezinha é só mais um personagem nessa colcha de retalhos desenrolada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Embora caiba a André Mendonça provar que, além de ser honesto, ele parece honesto, por enquanto a berlinda tem um único assento: o de Alexandre de Moraes, enroscado até o último fio de cabelo na teia de corrupção de Vorcaro. Além de Flávio Dino, Moraes aparentemente tem o apoio dos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin e do procurador-geral Paulo Gonet que, na sessão de amanhã, deverá ser representado pelo vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho.

Tudo indica que Mendes, Dino, Zanin e Gonet não deixarão Moraes na condição de careca abanonado. No meio de todo esse esquisito, escandaloso e infindável imbróglio está o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, cujo estado de letargia fica evidenciado com a indefinição do rito da reunião colegiada. A menos de 24 horas do início da sessão, o tipo de quórum também é uma incógnita. Causas e causador do espetáculo, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e André Mendonça poderão votar?

E Luiz Fux e Nunes Marques? Eles estão no mesmo barco naufragado de Vorcaro. Como hoje o STF dispõe de apenas dez ministros, quem decidirá o destino da Corte máxima o Judiciário? Os capinhas dos ministros, os garçons, os seguranças e a turma da limpeza já se deram por impedidos. Para quem sobrará essa estranha, nervosa e inesperada conta? Só Deus tem a resposta. Dito isso, resta aos brasileiros do bem, da paz e da verdade um apelo formal: Deus salve o Brasil e, se puder, livre os brasileiros de todos os males do Supremo Tribunal, amém!

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