Aos vencedores, os louros da vitória e a responsabilidade de governar. Aos derrotados, a sabedoria de reconhecer, nos votos recebidos, a grande responsabilidade que lhes foi confiada pelos eleitores. O Brasil e o Distrito Federal precisam seguir adiante, porque a democracia não se encerra com a apuração dos votos, nem as responsabilidades públicas se limitam a quem venceu.
A eleição terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e de Celina Leão ao Governo do Distrito Federal. O eleitor brasiliense, entretanto, fez escolhas distintas nas duas disputas: deu maioria a Flávio Bolsonaro para presidente e confirmou a permanência da governadora no Palácio do Buriti. A diferença política entre os dois governos não elimina a necessidade de cooperação institucional, especialmente em questões que afetam diretamente a população.
Celina recebeu 987.142 votos, correspondentes a 57,18% dos válidos, contra 739.130 votos, ou 42,82%, de Leandro Grass. A diferença de 248.012 votos assegurou a continuidade administrativa, enquanto a oposição encerrou a campanha com uma base eleitoral expressiva, cuja representação não se esgota com a derrota.
O resultado também apresentou diferenças territoriais relevantes. Celina venceu em 17 das 19 zonas eleitorais do DF, enquanto Grass obteve maioria nas zonas das Asas Norte e Sul. A governadora recebeu apoio em regiões de diferentes características sociais, econômicas e urbanas, o que amplia sua responsabilidade de responder às necessidades de uma população bastante diversa.
A crise do BRB permanece entre os principais desafios da administração. As operações com o Banco Master, as dificuldades para viabilizar uma capitalização e os questionamentos sobre movimentações financeiras envolvendo recursos públicos exigem respostas documentadas e soluções compatíveis com as normas fiscais e regulatórias.
A nova Câmara Legislativa também entrará em fase de reorganização, com maioria de partidos de centro e direita e negociações sobre a futura Mesa Diretora. A governadora contará com condições partidárias favoráveis para buscar apoio parlamentar, mas a autonomia do Legislativo e o exercício da fiscalização continuarão indispensáveis.
A agenda cotidiana não se interrompeu durante o segundo turno. O Distrito Federal continua enfrentando demandas por consultas, exames, cirurgias, vagas escolares, transporte eficiente, segurança, saneamento e oportunidades de trabalho. As regiões administrativas aguardam a conclusão de obras e a melhoria dos serviços, enquanto o comércio se prepara para o período de maior movimento do ano.
A segunda-feira, portanto, não deve ser compreendida apenas como o primeiro dia depois da eleição. É também o início de uma etapa em que os compromissos apresentados aos eleitores precisarão encontrar correspondência nas decisões administrativas.

