A eleição acabou, e a aritmética do TSE fecha: Lula teve 64,3 milhões de votos, Flávio Bolsonaro, 59,8 milhões. A diferença de 4,4 milhões é a que separa os dois. Quem quiser discutir este domingo precisa começar reconhecendo os números, porque é com eles que se ganha credibilidade para questionar o que realmente merece ser questionado. E há algo que merece.
O Código Eleitoral diz que a votação termina às 17h. Não é um detalhe burocrático: é a garantia de que todos os brasileiros votam sob as mesmas regras, do Oiapoque ao Chuí. No domingo, depois das 17h, um ministro do Supremo Tribunal Federal decidiu prorrogar a votação até as 19h, a pedido da campanha de Lula, alegando falhas no transporte. O ministro era Cristiano Zanin, que até 2023 era advogado pessoal do presidente que disputava a reeleição.
A decisão chegou quando o TSE, que é o tribunal responsável pela eleição, ainda analisava o pedido. Em muitas seções, as urnas já estavam fechadas quando veio a ordem. Em outras, a fila voltou a andar. Eleitores do mesmo país votaram com horários diferentes, conforme a velocidade com que a notícia bateu na porta de cada mesário.
É preciso dizer tudo. A campanha de Flávio também pediu prorrogação em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina por causa da chuva. O TSE afirma que os fiscais do PL tiveram acesso livre às instalações e que há registros que comprovam isso. Uma margem de 4,4 milhões de votos dificilmente seria revertida por duas horas de votação, e os especialistas consideram uma anulação quase impossível.
Mas o problema não é este resultado. É o próximo. Se um ministro do Supremo pode mudar a regra do horário depois que ela já está valendo, por decisão individual e sem esperar o tribunal eleitoral, então a regra deixou de ser regra. Hoje favoreceu um lado. Amanhã pode favorecer o outro. Em nenhum dos casos a democracia ganha.
O lugar desse debate não é a rua nem o pedido de anulação. É o Congresso que o eleitor acabou de escolher. Com a maior bancada da Câmara e do Senado, a oposição tem condições de propor regras claras: quem pode alterar o horário de votação, até que momento, com que critério e sob qual tribunal. É isso que transforma uma derrota em reforma.


Esse choro não faz sentido até porque a propria matéria desmente a proposta da conclusão, uma vez que o pedido de prorrogação foi feito pelos dois partidos que dispitavam a eleição. E os votos computados após às 17 horas foram apenas alguns milhares que em nada.mudariam a diferença dos milhôrs de votos para o candidato vencedor, o que a reportagem também reconhece. Portanto, ela não faz sentido.