A Lua me espiando

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Luzia Couto - Francisco Filipino

A Lua me espiando

da janela do meu quarto

Ela não esconde o rosto.

Através da tela enferrujada,

do vidro fosco e do arame

que parece uma prisão,

ela fica ali,

redonda, fria,

olhando direto pra mim.

Não é metáfora.

Não é poesia barata.

É ela mesmo,

presa no canto superior esquerdo

da minha janela torta,

me observando em silêncio

enquanto a noite engole o resto.

O metal range,

a cortina preta treme,

e eu sei:

ela está me espiando.

Literalmente.

Sem vergonha.

Sem pedir licença.

E eu,

deitado na cama,

olho de volta

e finjo que não sinto

aquele olhar prateado

entrando pela grade

e se acomodando

no fundo do meu peito.

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