A Lua me espiando
da janela do meu quarto
Ela não esconde o rosto.
Através da tela enferrujada,
do vidro fosco e do arame
que parece uma prisão,
ela fica ali,
redonda, fria,
olhando direto pra mim.
Não é metáfora.
Não é poesia barata.
É ela mesmo,
presa no canto superior esquerdo
da minha janela torta,
me observando em silêncio
enquanto a noite engole o resto.
O metal range,
a cortina preta treme,
e eu sei:
ela está me espiando.
Literalmente.
Sem vergonha.
Sem pedir licença.
E eu,
deitado na cama,
olho de volta
e finjo que não sinto
aquele olhar prateado
entrando pela grade
e se acomodando
no fundo do meu peito.

