As coisas

Eduardo Martínez
4 minutos de leitura
Gilberto Motta - Texto e Foto

-(*Versão finalizada)
– Filme curta-metragem 25 minutos
– Argumento, Roteiro e Direção de Gilberto Motta.
– (2006-2026)

Entre filmes, aulas e criações de roteiros, há alguns anos caiu-me à mão um texto áspero, complicado e abstrato: Coisas Ditas, livro do sociólogo francês Pierre Bourdieu, um mergulho revelador no processo atual de coisificação dos seres humanos. Mexeu e aguçou. As pessoas e os objetos; as representações simbólicas mediadas pela língua; as palavras e as imagens estruturando tudo: o mundo. Linguagem escrita e estética visual.

Em 2006, eu morava na cidade de Marília, interior de São Paulo, e trabalhava como professor nas Oficinas Culturais Tarsila do Amaral nas áreas do rádio, TV, cinema e redes sociais. Este projeto para um curta-metragem audiovisual começou a surgir quando cruzei com o Homem negro, andarilho, vendedor de orquídeas; e tempos depois com a Mulher branca, bem nascida, mas atormentada pelo jogo das aparências sociais e em crise.

ARGUMENTO LAPIDADO:

< A Mulher, apaixonada por seu violoncelo, procuraria saídas nas aulas na Capital; o Homem funcionaria como uma alegoria, um ser livre que vaga onipresente. Optei por trocar os “olhares” e narrar a história do ponto de vista dos OBJETOS, o Violoncelo e a Orquídea. Faltava o plot point (virada de rumo) para a resolução da história.

< Viajei São Paulo para conhecer o recém inaugurado Museu da Língua Portuguesa, na Área da Estação da Luz. O contraste entre o “museu vivo, high-tech”, com vários recursos audiovisuais e a barra-pesada das ruas ao lado, na Cracolândia, deu a “costura” que faltava.

< Da obra de Carlos Drummond de Andrade – paixão antiga – pincei versos soltos que serviram à narrativa.

SINOPSE:

Mulher de classe alta, adoradora de música clássica, busca sentido para sua vidinha perdida na cidade do interior paulista fazendo aulas de violoncelo na capital de São Paulo. É seguida por um Homem vendedor ambulante de orquídeas. Os problemas começam quando ela descobre que as verdadeiras intenções do “nobre” professor nas aulas que são ministradas na região barra-pesada da Cracolândia, na capital paulista. Ela encontrará outra realidade e seu violoncelo é roubado por uma gangue de drogados. Buscando ajuda, a Mulher está defronte ao Museu da Língua Portuguesa, antiga Estação da Luz. O jogo está armado: entrar ou não? A mulher entra, reencontra o violoncelo e o Homem vendedor de flores. Na viagem pelo interior do museu algo de mágico acontecerá em suas vidas. O detalhe diferencial é que toda a história será narrada pelas Coisas (o violoncelo e a orquídea), entremeada com textos do poeta Carlos Drummond de Andrade e as inovações tecnológicas implantadas no museu.

AS PRÓXIMAS CRÔNICAS
*Estamos preparando a divisão em parte do texto final do Roteiro finalizado para ser publicado, nas próximas semanas, aqui no Café Literário.

……………….

Gilberto Motta é escritor, poeta, jornalista e pesquisador. Professor de comunicação social e redes na Ufsc, Univali, Factec, Unoesc em SC, entre 2000 e 2016, em SC. Vive na Guarda do Embaú-SC.

Compartilhar
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *