Todos os finais de tarde eu cruzava com ele. Velhote de barba branca, arcaico e sempre trabalhando.
Nunca perguntei o porquê do nome Bin Laden.
Claro, pela semelhança física, jamais pela pessoa amorosa, amiga e companheira do cara.
Luminoso Bin Laden, catador de lixo nas ruas da comunidade de Morretes.
Ele deixa um filho que se chama seguindo a saga do preconceito Saddam.

Bin vendia um motor, um relógio, um ventilador, coisas que encontrava nos lixos, peças pra bicicletas.
“Sou aposentado, mas tenho que pagar o aluguel”, explicava ele.
“Não posso deixar de trabalhar”.
Homem reto e trabalhador. Meu amigo.
Morreu de pneumonia e abandonado lá no casebre.
Bin Laden catava nos dias de Sol e chuva e andava muito cansado, resfriado.
São dezenas de pessoas aqui na região da Pinheira, Morretes e Guarda do Embaú SC que catam coisas do lixo para sobreviver.
Pessoas tão lindas quando o Bin Laden e o seu filho Saddam.
Na luz, caríssimo e querido amigo de Paz, Bin.
Sua vida tem um significado profundo para nós.
Gratidão.
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Gilberto Motta, apenas um invisível que habita a Guarda do Embaú, litoral de SC.


Se tem um escritor que me surpreende é o Gilberto Motta. O seu olhar transforma o comum em extraordinário.