Ele grita com ar de profeta,
Mas carrega na língua uma guerra indiscreta,
Não fala de amor, nem da compaixão,
Prefere o rancor, o ódio e a segregação;
Se diz seguidor de Cristo, o homem da paz,
Mas julga quem ama, quem reza e quem faz,
Seu verbo é espada, sua fé, um tribunal,
Transforma o evangelho em uma arma letal;
Na rede social, vocifera sem piedade,
Insulta, esbraveja e nega a desigualdade,
Esquece o perdão, que é base cristã,
Para defender um Deus com fúria de titã;
Faz da doutrina escudo, revólver e lança,
Enquanto a justiça perde a esperança,
No altar da igreja, em seu paletó luxuoso,
Excomunga quem não concorda com seu engodo;
Cadê o Jesus dos braços estendidos,
Que andava com pobres e excluídos?
Você trocou o amor por curtida e audiência,
E o Reino dos Céus por sua vil influência;
Silas, pastor, tua voz é só pelo alarde,
Tua mensagem endurece, mas não arde,
Quem semeia o ódio só colhe o rancor,
E nunca conhecerá o verdadeiro amor.

