Sou menina que ainda sonha acordada,
musa que inspira versos sem pedir permissão,
fases mutantes como o céu noturno.
Sou meia-lua tímida, lua minguante que guarda segredos,
gota de orvalho que brilha ao primeiro sol,
grão de areia que carrega o deserto inteiro.
Sou palavra que provoca a frase,
frase que inventa a canção,
melodia que nasce do silêncio e se derrama no peito.
Sou alma inquieta, corpo que pulsa em ritmo próprio,
coração que bate em versos descompassados.
Sou retalhos
pedaços de seda, de sombra, de luz, de memória
que se encontram, se entrelaçam, se transformam.
E quando tu me reúnes com mãos gentis e olhar profundo,
todos os fragmentos se fundem num só tecido,
uma colcha viva, quente e colorida
onde cada costura é um beijo demorado,
cada emenda é um suspiro compartilhado,
e o todo se dissolve,
finalmente inteiro,
em puro amor.

