Seduza-me com o verso
Seduza-me com um poema
no toque quase imperceptível dos versos,
livres como pássaros sem gaiola,
brancos como lençóis ainda intactos
ou rimados como o eco de dois corações.
Mas conquista-me, de verdade,
com a poesia que não se diz , se sente.
Fala-me do voo das andorinhas
que rasgam o céu como facas de seda,
dos azuis profundos que se deitam sobre o mar
e das doçuras que a vida oferece
em goles lentos,
ou mesmo das dores que habitam tua alma
como pétalas negras sobre um lago quieto.
Abre as cortinas do verbo para mim.
Acaricia-me com as palavras como se fossem dedos.
Usa-me com metáforas que ardem sem queimar,
alicia-me com adjetivos que me desnudam por dentro.
Sê poeta sobre os lençóis de cetim:
eloquente nos beijos,
sem plágios,
em estrofes simples
que, no entanto, delatam teu amor
caminhando descalço pelas sendas do desejo.
Faz com que eu me apaixone
até o ponto em que a ausência de ti
seja uma forma de morrer de saudade.
Possui-me com um poema
e eu te darei, sem reserva,
minha carne rendida,
minha alma exposta ao teu olhar,
e este amor sublime
que já não sabe viver fora de ti.

