Vaidade de flor

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Fernando de Assis - Foto Francisco Filipino

(Para ser lido em um jardim)

Conta uma história antiga que Fragrância era tão ciumenta que não se conformava com a admiração que as pessoas dispensavam à beleza das flores, atribuindo erroneamente a elas o cheiro maravilhoso que exalam. Fragrância acreditava que a beleza da flor era fruto de seu aroma e não o contrário. Para ela, uma flor só é bela por causa de sua presença fluida, invisível e de nuanças diferentes para cada um dos botões que se abrem.

Um dia, uma jovem cega entrou no jardim e ficou por longo tempo inspirando o aroma maravilhoso das flores. Havia no jardim, rosas, lavandas, jasmins e gardênias. Alheia à deficiência da jovem, Fragrância notou que a beleza das flores não era objeto de admiração. A jovem apenas inspirava o ar sentindo os aromas na atmosfera ao redor.

E pela primeira vez, Fragrância ficou feliz.

No entorno, as abelhas, sem serem percebidas, faziam sua parte, polinizando e dando seguimento à vida.

Em breve tempo Fragrância se vai e as flores murcham. Vaidade de flor.

Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *