Descrente da inoperante e insossa Seleção Brasileira e cada vez mais preocupado com a falência moral do sistema político do Brasil, tenho me encontrado, reservada e frequentemente, com minha consciência, com a qual, sem ajuda da inteligência artificial, busco novas fórmulas e formas para continuar amando a Pátria Amada. Embora urgentemente necessária, a tarefa não me parece das mais fáceis. Por exemplo, mesmo contrário às bets, ainda não consegui entender como o mesmo governante que produziu mecanismos para autorizar e fiscalizar a jogatina agora decidiu proibi-la.
Com certeza, a preocupação não é somente com as famílias que foram e são “depenadas” pelas casas de apostas virtuais. As loterias estatais também estimulam sonhos em pelo menos 11 entre dez brasileiros. E a cada semana surge uma modalidade diferente. Voltando ao futebol, boa parte dos clubes se perderá pelo caminho da dívida eterna, na medida em que a maioria é bancada por uma das bets legalizadas. É claro que todos terão de se virar. O problema futuro é que o velho jeitinho brasileiro deverá reassumir seu lugar na mente criativa e, às vezes, perversa do povo.
O que quero dizer é simples: a clandestinidade já gerou milhares de milhões de cruzeiros e reais para os banqueiros do bicho. Provavelmente, o espaço voltará a ser ocupado por pessoas ou grupos empresariais que sabem como burlar a lei. Atento às falhas e firulas da legislação, o apostador certamente migrará para plataformas ilegais no Brasil e no exterior. Em um país no qual os políticos e até sua Suprema Corte de Justiça vivem sob suspeição, que tipo de amparo jurídico terá o chefe de família que vai continuar tentando uma sorte que jamais virá? Infelizmente, nenhum.
Lamentavelmente, as bets viraram discurso político contra e a favor entre os candidatos mais próximos da Presidência da República. Um decidiu proibir o que ele mesmo regularizou. O outro afirma que, se for eleito, não permitirá “cassinos online e nem Tigrinho”. Entretanto, sua língua afiada e conservadora, associada a seus ouvidos moucos, fez pouco caso das bets. Na verdade, apesar de ser contrário a qualquer tipo de aposta, ele concorda com as relacionadas a jogos de futebol. Ou seja, durante sua gestão ficará o dito pelo não dito.
Na semana decisiva das eleições presidenciais, surge a dúvida que hoje incomoda o povo do Oiapoque e do Chuí. Em quem acreditar? Em quem votar? Mesmo com o voto definido desde 2022, entendo que tanto um quanto o outro precisam dar respostas claras, objetivas e honestas às preocupações comuns à maioria dos quase 160 milhões de eleitores. Os questionamentos são muitos. Até agora, poucos foram respondidos de forma a atender plenamente os anseios democráticos e sonhadores da sociedade ordeira.
Poucos anos nos separam da metade do século 21. Por isso, os potenciais candidatos precisam ser informados de que não cabem mais propostas desconexas e eminentemente eleitoreiras, tampouco discursos idiotizados de ódio e contrários à democracia. Passou o tempo em que as eleições eram disputadas à bala. Hoje, sem argumentos e projetos palpáveis e palatáveis, o vencedor, seja ele da direita, do centro ou da esquerda, será somente um governante de ficção, aquele que é esquecido na semana seguinte à conclusão do mandato. Se concluir, é claro! Quanto aos órfãos das bets, desejo alguma perseverança, muita sorte e um ótimo voto no próximo dia 4 de outubro.

