Quem ama cuida vira bordão de candidatos do voto acima dos 70 anos

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Fábio Rodrigues Pozzebom

Que o envelhecimento populacional alterou o perfil dos eleitores brasileiros não é mais novidade para nenhum dos potenciais candidatos à Presidência da República. Todos sabem também que, associado ao peso do eleitorado feminino (52,84% do total), esse contingente de votantes pode ajudar a definir a apertada disputa pelo Palácio do Planalto. O que a maioria dos presidenciáveis desconhece é que, embora estejam liberados do voto, os 36,2 milhões da chamada Geração Prateada devem lotar as seções eleitorais no próximo domingo, dia 4 de outubro.

A grande novidade das eleições de 2026 não decorre de nenhuma proposta de última hora dos candidatos das variadas correntes políticas que concorrem à Presidência da República. Por decisão do Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS) e referendo do Tribunal Superior Eleitoral, o voto em 2026 será a “prova de vida” automática para aposentados, pensionistas e recebedores de outros benefícios previdenciários e assistenciais. Fato e não fake, a medida foi anunciada semana passada e está regulamentada pela Resolução TSE no. 23.656/2021.

A nova norma virou aposta para os coordenadores das principais candidaturas à Presidência. A sete dias da eleição, eles correm contra o tempo na tentativa de estimular o público acima de 70 anos a sair de casa e convencê-lo a votar em seus presidenciáveis. A regra de cruzamento dos dados do INSS com o comparecimento às urnas eletrônicas é utilizada pelo INSS desde a eleição de 2022. Desde então, o idoso que votar não precisa mais apresentar o comprovante de votação ao instituto, tampouco realizar outro procedimento para essa finalidade.

De acordo com a resolução do TSE, a possibilidade de cruzamento de dados não altera qualquer regra eleitoral. Na prática, embora sejam os meninos dos olhos dos postulantes à sucessão do Presidente Lula da Silva, inclusive o próprio, quem tem mais de 70 anos pode deixar de votar sem apresentar justificativas à Justiça Eleitoral. A ausência também não bloqueia o título, o CPF ou os benefícios a que os idosos têm direito. Nesse caso, o INSS continuará utilizando outras bases para confirmar automaticamente que a pessoa está viva.

A alternativa para a prova de vida chamou a atenção não só dos coordenadores de campanhas. No rádio, na televisão e em eventos públicos, os próprios candidatos passaram a explorar a iniciativa como uma importante estratégia. Considerando que, em 2022, mais da metade dos eleitores com mais de 70 anos não votou, a ordem da esquerda, da direita e do centro é “caçar” o tesouro onde ele estiver. Com mais de 80 anos, um dos candidatos tem feito seguidos apelos convocando a “moçada” de sua geração para votar no domingo.

No vale tudo de uma campanha presidencial, ele não é o único, não será o último, mas foi o primeiro. Como promessas vazias, postulantes mais novos passaram a incluir propostas direcionadas à população idosa em suas ações eleitorais. Seguindo os ensinamentos da novela global das 21 horas, progressistas e conservadores resolveram “acolher” os velhinhos com o novo modismo da praça: Quem ama cuida. Afinal, os idosos liberados do voto somam este ano quase 17 milhões de pessoas, 15,75% a mais do que em 2022. Não é nada, não é nada, mas é quase um trem lotado de votos.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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