Brasileiro tem consciência que mudanças desejadas vão além das eleições

Redação
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Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Domingo, 4 de outubro de 2026. Chegou a hora da verdade. É o dia em que o bicho vai pegar. Como no Brasil há, infelizmente, mil Brasis, hoje também é o dia da onça beber água. A coisa tá preta, a casa vai cair ou o calo está apertando são expressões indicativas de um momento decisivo, tenso ou perigoso. Tudo a ver com o dia da eleição presidencial. Menos ortodoxo e mais realista, prefiro dizer que hoje é o dia da plenitude da cidadania. Ou seria da reflexão sobre o futuro da nação? Talvez da consciência sem legenda, sem recalques e sem ódios, mas corajosa, decidida, fria e capaz de almejar ideias e propostas frescas.

É fundamental que todos se conscientizem de que as mudanças do Brasil vão além das eleições. Elas passam obrigatoriamente pela ética, pela educação e, sobretudo, pelo respeito aos vencedores. Pensemos nisso e sejamos a mudança que desejamos. Chorar o leite derramado é o mesmo que jogar xadrez no escuro. Para mim, hoje é domingo, missa, praia, voto e céu de anil. Tem sangue nos jornais, as bandeiras tremulam na avenida zil, os gritos ecoam tortos à direita, à esquerda e quase nada ao centro. É o dia em que os leões buscam suas presas, o peão recolhe o gado e, como almas indefesas, o povo tenta decidir com base na experiência, na responsabilidade dos candidatos e não nas mentiras contadas via redes sociais.

Apesar dos negacionistas, eu sei que tem muitas estrelas por aí. Como também sei que nem todas estão juntas, a sugestão é que o escolhido seja aquele que pensa em satisfazer prioritariamente os anseios da coletividade. Nesta eleição, ainda marcada pela detestável polarização, os cerca de 160 milhões de eleitores terão de escolher entre o prefixo Demo e o sufixo Dura. Por isso, volto a defender a tese de que uma grande nação como o Brasil não pode ser governada com base nas opiniões de um único partido. Como as alianças de hoje são muito mais por interesse e menos por ideologia, o que sobra é o velho e odioso toma lá, dá cá.

Estrelado por políticos que já passaram para o andar de cima, esse filme é tão antigo como os faroestes norte-americanos. Não vejo perspectiva de mudanças a curto prazo. Apesar do pessimismo, torço freneticamente para que o eleitorado nacional esqueça de vez o disco voador e se lembre da célebre e clássica frase cunhada por Otto von Bismarck, ex-chanceler do Reich Alemão, para quem nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.

No Brasil em que o verde do Pavilhão Nacional significa o dinheiro dos políticos na Suíça e o amarelo uma de nossas maiores mazelas (a febre amarela), a política ainda é feita à base de discursos, festas populares e canções. Andei rezando para tótens e Jesus, mas nas mensagens que me chegam sem parar boa parte dos eleitores continua avaliando os candidatos à Presidência da República como times de futebol. Em vez de cobrar projetos de governo, a maioria apenas torce pela vitória de um, consequentemente pela derrota de outro.

É muito mais fácil torcer a distância do que jogar junto, algo como achar que a camisa e o brasão não são os mesmos. E segue o jogo como se o Brasil deles fosse diferente dos demais brasileiros. Como dizem os mais sábios, a coisa mais penosa do nosso tempo é que os tolos têm convicção e os que têm imaginação e raciocínio vivem cheios de dúvida e de indecisão. Afinal, criticar os bastidores dá menos trabalho do que subir ao palco.

Mesmo em paz, vou votar como se estivesse indo para uma rinha de galos bons e de pintos ruins. Minha preocupação é com o otimismo exagerado dos candidatos à Presidência, ao Congresso, às assembleias legislativas e à Câmara Distrital. A uma só voz, todos gritam: Rumo à vitória. Fazendo minha a pergunta de um amigo capixaba, será que eles estão organizando uma excursão para o Espírito Santo e eu não estou sabendo?

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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