A fotografia eleitoral do Distrito Federal mudou de forma significativa em apenas três semanas. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) mostra a governadora Celina Leão (PP) abrindo larga vantagem na corrida pelo Palácio do Buriti, enquanto José Roberto Arruda (PSD) despenca e passa a dividir o segundo lugar, em empate técnico, com Leandro Grass (PT).
Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Celina aparece com 40% das intenções de voto. No levantamento anterior, divulgado em 21 de agosto, tinha 30%. É um salto de dez pontos percentuais.
No sentido contrário está Arruda. O candidato do PSD caiu de 28% para 17%, uma perda de 11 pontos. Leandro Grass aproveitou a movimentação do eleitorado e avançou de 11% para 16%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, Arruda e Grass estão tecnicamente empatados na segunda posição.
Paula Belmonte (PSDB) também cresceu, passando de 4% para 6%. Ricardo Cappelli (PSB) permaneceu com 3%, enquanto Kiko Caputo (Novo) avançou de 2% para 3%.
Na sequência aparecem Professor Robson (PSTU), com 2%, e Professora Samara Mineiro (UP), com 1%. Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB) não pontuaram. Brancos, nulos ou nenhum somam 8%, e 3% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
Arruda perde terreno
A comparação entre as duas rodadas revela uma mudança importante no desenho da eleição. Em agosto, Celina e Arruda estavam separados por apenas dois pontos — 30% a 28%. Agora, a distância entre eles chegou a 23 pontos percentuais.
Enquanto Celina ganhou dez pontos, Arruda perdeu 11. Grass, por sua vez, cresceu cinco pontos e encostou no ex-governador.
A queda de Arruda ocorre justamente no momento em que sua candidatura enfrenta uma batalha judicial. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal rejeitou por unanimidade seu pedido de registro, decisão da qual o candidato recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral.
Diante dessa incerteza, o próprio Datafolha testou um cenário retirando o nome de Arruda da disputa. O resultado amplia ainda mais a vantagem da governadora: Celina chega a 45%, Grass aparece com 19% e Paula Belmonte alcança 8%. Cappelli e Kiko ficam com 3% cada.
Mais significativo ainda é o cálculo dos votos válidos. Sem Arruda, Celina alcançaria 54% dos votos válidos, contra 23% de Grass e 10% de Paula. Se esses números fossem reproduzidos nas urnas, a governadora teria percentual suficiente para liquidar a eleição no primeiro turno.
Com Arruda na disputa, porém, Celina teria 45% dos votos válidos, enquanto Arruda e Grass apareceriam com 19% cada, mantendo aberta a possibilidade de segundo turno.
Espontânea confirma movimento
A pesquisa espontânea — quando o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos — reforça a tendência observada no levantamento estimulado.
Celina cresceu de 21% para 30%. Arruda oscilou de 12% para 11%, enquanto Grass praticamente dobrou suas menções, passando de 6% para 11%.
Paula Belmonte aparece com 2%. Cappelli e Kiko Caputo têm 1% cada. O dado que chama atenção, entretanto, é o contingente de eleitores que ainda não definiu espontaneamente seu candidato: 34% se declararam indecisos.
Isso significa que, apesar da vantagem confortável construída por Celina, ainda existe um grande reservatório de votos em disputa até outubro.
Segundo turno
As simulações do Datafolha mostram a governadora igualmente à frente nos confrontos diretos.
Contra Arruda, Celina venceria por 51% a 34%. Em uma disputa com Grass, a vantagem seria ainda maior: 56% a 30%.
Já numa eventual disputa entre Arruda e Grass, o ex-governador aparece com 46%, contra 34% do candidato petista.
O levantamento também mostra melhora na avaliação da atual administração. A aprovação do trabalho de Celina passou de 47% para 55%, enquanto a desaprovação caiu de 44% para 37%. Na avaliação tradicional do governo, 33% consideram a gestão ótima ou boa, 37% regular e 26% ruim ou péssima.
Novo tabuleiro
O Datafolha, portanto, desenha um cenário bastante diferente daquele registrado em agosto. Celina deixou uma situação próxima do empate e assumiu liderança isolada. Arruda, até então seu principal adversário, perdeu terreno justamente quando enfrenta incertezas sobre sua presença na urna. Grass avançou e entrou diretamente na briga pela segunda vaga.
Há agora duas eleições sendo disputadas simultaneamente no Distrito Federal: uma política, nas ruas e nas urnas, e outra jurídica, nos tribunais.
Para Celina, a pesquisa traz a melhor notícia possível às vésperas da reta final da campanha: ela não apenas ampliou sua vantagem como começa a enxergar, principalmente num cenário sem Arruda, a possibilidade concreta de transformar o segundo turno em algo desnecessário.
Para Arruda, o sinal é inverso. Além de encontrar um labirinto jurídico pela frente, o ex-governador vê agora o eleitorado mostrar que pode começar a procurar outras saídas.
O Datafolha entrevistou 910 eleitores entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento, contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-06055/2026.

