A corrida ao Palácio do Planalto transformou-se numa autêntica briga de foice dentro de um elevador. De um lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL); do outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputam cada centímetro de espaço, enquanto milhões de eleitores aguardam a abertura das portas para descobrir quem sairá vencedor do confronto marcado para domingo, 25.
Pesquisa Datafolha divulgada no início da noite desta quinta-feira, 22, mostra Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, contra 46% de Lula. A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico, deixando a eleição presidencial em território de absoluta incerteza.
Os eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto representam 5% dos entrevistados. Outros 2% permanecem indecisos, contingente que pode assumir importância decisiva numa disputa em que qualquer movimento, por menor que seja, tem potencial para alterar o resultado.
Quando considerados exclusivamente os votos válidos, aqueles que efetivamente entram na contagem oficial da Justiça Eleitoral, a igualdade é completa: Flávio Bolsonaro aparece com 50%, exatamente o mesmo percentual atribuído a Lula.
O resultado coloca os dois adversários numa situação singular. Nenhum deles pode reivindicar favoritismo estatisticamente demonstrado, tampouco ignorar a possibilidade de derrota. É como se ambos estivessem no último andar de um edifício político, disputando o controle de um elevador que só abrirá suas portas depois da apuração dos votos.
Para Flávio, a pesquisa representa a oportunidade de consolidar uma candidatura que chegou à reta final em condições de enfrentar o atual ocupante do Planalto. Para Lula, o levantamento confirma que a tentativa de conquistar mais um mandato depende de uma mobilização capaz de superar a resistência de parcela expressiva do eleitorado.
A metáfora da briga de foice no elevador ganha contornos ainda mais dramáticos porque não existe espaço para recuo. Cada voto conquistado por um candidato, quando retirado diretamente do adversário, tem efeito duplo: aumenta o próprio patrimônio eleitoral e reduz o do concorrente.
Nesse cenário, a batalha dos últimos dias tende a concentrar esforços sobre os indecisos, os eleitores menos convictos e aqueles que ainda podem reconsiderar sua escolha. São eles que poderão definir para qual lado penderá a balança.
O domingo promete, portanto, uma das disputas presidenciais mais apertadas da história política recente do país, caso a divisão apontada pelo Datafolha se confirme nas urnas.
A democracia, entretanto, reserva aos dois contendores uma regra que nem mesmo a mais afiada das foices consegue modificar: a palavra final pertence ao eleitor.
E, quando as portas do elevador finalmente se abrirem, apenas um dos dois terá passagem garantida para o próximo mandato no Palácio do Planalto.
O Datafolha ouviu 2.520 eleitores entre 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-09709/2026.
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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras


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