Lula vem engordando as urnas com ações voltadas diretamente para o povo

Redação
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@donairene13 - Foto Paulo Pinto

Na semana passada, o governo finalmente conseguiu uma coisa que vinha tendo dificuldade para fazer: pautar a imprensa, as redes sociais e, principalmente, assuntos que chegam diretamente às camadas populares. De uma hora para outra, três temas passaram a dominar a conversa: canetas emagrecedoras pelo SUS, reajuste do Bolsa Família e restrições às bets. A crise no STF continua produzindo manchetes, mas não parece ter alcançado a mesma capacidade de mobilização. E não é difícil entender por quê.

Obesidade, renda e apostas mexem diretamente com a vida cotidiana. Hoje, 25,7% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal vivem com obesidade, uma doença crônica associada a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e outros problemas que também pressionam o sistema público de saúde.

O aumento do Bolsa Família também ocupou enorme espaço porque imediatamente surgiu a acusação infundada de que se tratava de uma medida eleitoreira. Mas a discussão jurídica ganhou um elemento importante na sexta-feira: o ministro Gilmar Mendes, do STF, reconheceu que o reajuste de 15% representa atualização dos valores por um critério objetivo de correção monetária, sem criação de novo programa ou mudança das regras de acesso ao benefício.

O governo afirma ainda que a despesa está prevista dentro das dotações orçamentárias e das metas fiscais. Isso não elimina o debate político sobre o momento do anúncio, a poucas semanas da eleição, mas enfraquece a tese de que se trataria simplesmente da criação irregular de um benefício em período eleitoral.

E então vieram as bets. Bastou Lula falar em acabar com as apostas e os clubes reagirem, chegando a advertir sobre enormes prejuízos ao futebol brasileiro, para o tema explodir nacionalmente. A reação acabou ajudando justamente a ampliar a discussão que o governo queria provocar. E existe terreno popular para isso: levantamento divulgado em agosto mostrou que 56% dos brasileiros defendem a proibição das bets; outra pesquisa Ipsos-Ipec mostrou que 68% defendem proibir o patrocínio dessas empresas a clubes de futebol.

Politicamente, portanto, foi uma semana em que o governo conseguiu deslocar a conversa para temas concretos e compreensíveis para qualquer pessoa. Independentemente de concordar ou não com cada proposta, é difícil negar que, desta vez, foi o governo quem escolheu boa parte dos assuntos sobre os quais o país passou a discutir.

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