O céu de 2027 não comporta todos os santos eleitos nas urnas domingo

Redação
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Na eleição geral desse domingo (4), todos os meus candidatos perderam. Como teclei na urna eletrônica nomes que, com certeza, pensariam no país e no povo, acabo de me convencer de que desaprendi ou nunca soube votar. Na dúvida, prefiro achar que minhas perspectivas e minha visão de mentalidade nada têm a ver com o Brasil do eu primeiro, depois eu e sempre eu. É a velha história do meu pirão primeiro. E, caso a extrema-direita confirme a vitória no segundo turno presidencial, será assim, mas só para eles. Tudo para eles.

O povo continuará sendo apenas um detalhe. Diante dos fatos observados logo após o resultado oficial, com certeza o day after eleitoral não é para chorar, mas para conjecturar. Novamente a tendência do Brasil é se virar à direita. Na verdade, à extrema-direita dominadora e com aptidões claramente extremistas. Não é a primeira vez e não será a última que experimentamos tal sofrimento. O lado bom desse triste desfecho é que quatro anos passam ligeiro.

A eleição de 2030 está logo ali e provavelmente sem a principal liderança política dos últimos 40 anos. Antes de começar a pensar em escrever sobre receitas de bolo e de feijão com arroz, preciso lembrar aos que diretamente colaboraram com a vitória da direita raivosa que as lágrimas mudam de cor e de intensidade com a mesma força dos ventos. Aos progressistas mais ferrenhos, vale dizer que, embora amarga, a vida continua. E continuará até que a sensatez e a correção eleitoral sejam um bem de todos os brasileiros.

Enquanto torcemos por esse dia, não é demais pontuar que o céu de 2027 não comporta todos os santos eleitos nesse domingo. Aliás, domingo que deve ser esquecido. Por conta de uma legião que ainda não reconhece a própria desinteligência, ao longo da próxima legislatura parlamentar e possivelmente do novo inquilino do Palácio do Planalto o país estará por conta das ações de fanáticos religiosos, de militares bajuladores, de ricos racistas, homofóbicos e violentos e de pobres conscientes de sua ignorância.

Para o bem de todos, no meio do caminho para 2030 ainda há o segundo turno de 2026. Me valendo da tese popular de tudo seria fácil se não fossem as dificuldades, restam os votos dos 33 milhões de eleitores que se abstiveram de votar, cujo recado no primeiro turno foi tão claro com o céu de verão nas manhãs das cidades litorâneas: Nós não nos sentimos representados por nenhuma das atuais forças políticas.

Não é nada, não é nada, mas os dois presidenciáveis restantes precisam ser informados que, considerando os números dos três candidatos que só fizeram número, esse quantitativo significa um quinto do total de eleitores aptos a votar este ano. Portanto, embora leiga no assunto, a campanha visando o segundo turno tem de começar por eles e depois pelos velhinhos que teimam em dormir enquanto o país freneticamente pulsa em busca daquele que nos conduzirá ao paraíso ou ao inferno terrestre.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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