Urna desacredita mídia e pesquisas encomendadas

Redação
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Armando Cardoso - Foto Paulo Pinto

Contrariando todos os prognósticos negativos da mídia negociável e raivosa e dos institutos de pesquisas encomendadas e, portanto, tendenciosas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu a segunda dinastia do clã Bolsonaro e, em dois meses, assume seu quarto mandado presidencial. Dirão os menos comedidos que Lula é tetra, é tetra, é tetra. Como sou mais simpático à convergência social e mais falso do que tietagem explícita, direi que Lula da Silva ganhou porque seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro, não é do ramo e, por isso, não merecia vencer.

Falsidades à parte, venceu a lógica, ganhou o melhor. Na verdade, o infinitamente melhor. Com todo respeito aos “pesquisadores” e “sensitivos”, aos algoritmos, à Meta e ao vergonhoso e, a essa altura, envergonhado comando do Tribunal Superior Eleitoral, mas a tal margem de erro ultrapassou a credibilidade da maioria dos bruxos e das empresas que, a pretexto de “informar” ao eleitorado quem pode ou não vencer uma eleição, abarrotam seus cofres privados com dinheiro público.

O maior “crime” é a incapacidade da mídia embolsada e dos sensitivos de aluguel de explicar, sem margem de erro, a razão de tamanho engano. Ainda é cedo para dizer o que será do país e da democracia perseguida por vilões fantasiados de patriotas, mas vestidos com as cores desenhadas pela tirania daqueles que só pensam em se servir do país. Servir à nação gera urticária nesse povo. Apesar da preocupação, não há dúvida de que, queiram ou não os derrotados, venceu o progresso.

E, pelo menos a princípio, a prosperidade é sinônimo de perpetuação da democracia e antônimo de retrocesso. Em palavras mais apropriadas para o momento, por cima do muro “eu vejo a vida melhor no futuro”. Quanto ao candidato derrotado, vale lembrar que ele, além do chope encomendado, já havia reservado os salgadinhos e as medalhas de honra ao mérito para distribuir a seus cabos eleitorais. Pior foi montar o ministério sem conhecer o verdadeiro humor do eleitorado brasileiro.

O resultado do resultado é lógico: as malas começaram a ser arrumadas para uma partida aparentemente sem volta. Não me regozijo, mas restaram os soluços do patriarca e dos aliados fanáticos e o grito rouco de um Congresso que, apesar da superioridade numérica da direita e da extrema-direita, terá de sucumbir à força do petismo, sob pena de passar para a história do Brasil como o segundo pior da era Bolsonaro. Longe, mas muito longe, o primeiro é aquele cuja legislatura se encerra em fevereiro próximo.

Mais uma vez, a pobre, séria e inviolável urna eletrônica, maquininha incapaz de se posicionar à direita, à esquerda ou ao centro, será culpada pelo novo fracasso do bolsonarismo. Como nessa eleição, o Tribunal Superior Eleitoral foi terrivelmente presidido pelo bolsominion Kássio Nunes Marques, ancorado pelo evangelissíssimo André Mendonça, nada mais a declarar do equipamento que há 30 anos elege, sem máculas, presidentes da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores. Me perdoem os mais raivosos, mas Lula é tetra

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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