Russell segura Verstappen no sufoco, vence em Baku e encosta em Antonelli

Redação
Redação
6 minutos de leitura
Bartô Granja - Foto Reprodução/X

George Russell usou braço, cabeça fria e nervos de aço para transformar a pole position em vitória neste sábado (26), no Grande Prêmio do Azerbaijão de Fórmula 1. O britânico da Mercedes suportou até os últimos metros a pressão de Max Verstappen e recebeu a bandeirada praticamente emparelhado com a Red Bull do holandês.

Foi a terceira vitória de Russell na temporada e uma das mais apertadas do campeonato. Verstappen cruzou a linha cerca de um décimo de segundo depois do vencedor, transformando as voltas finais pelas ruas de Baku em uma perseguição de tirar o fôlego. Isack Hadjar, companheiro de Verstappen na Red Bull, terminou em terceiro e completou o pódio.

Russell havia preparado o terreno ainda na classificação. Largando da pole, assumiu o controle da corrida e administrou a vantagem durante boa parte das 51 voltas no circuito urbano de 6,003 quilômetros da capital azeri. Mas Baku raramente permite tranquilidade, e acidentes, abandonos e intervenções do Safety Car embaralharam as cartas e reduziram vantagens construídas na pista. Se Russell parecia caminhar com relativa segurança para a vitória, a parte final da prova tratou de colocar Verstappen em seus retrovisores.

Volta após volta, a Red Bull cresceu no espelho da Mercedes. Na abertura da última volta, qualquer pequeno erro de Russell poderia significar a perda de uma vitória construída desde a largada. Russell colocou a Mercedes no meio da pista quando precisava, saiu bem das curvas decisivas e entrou na enorme reta final de Baku sabendo que Verstappen viria com tudo, mas faltou asfalto. Quando a bandeira quadriculada caiu, Russell ainda estava na frente.

Se Russell comemorou, Kimi Antonelli teve motivos para respirar aliviado. Líder do Mundial, o italiano viveu um fim de semana complicado desde a classificação, quando bateu ainda no Q1 e ficou apenas com a 16ª posição no grid. Na corrida, porém, recuperou terreno e terminou em quinto, atrás de Charles Leclerc, da Ferrari. Lewis Hamilton foi o sexto colocado.

A recuperação permitiu a Antonelli limitar os danos justamente num sábado em que seu principal perseguidor no campeonato aproveitou quase tudo que Baku tinha para oferecer. Russell chegou ao Azerbaijão 81 pontos atrás do companheiro de Mercedes e saiu com a diferença reduzida para 66 pontos. Antonelli permanece na liderança, com 302 pontos, enquanto Russell chega a 236.

A conta ainda favorece o jovem italiano, mas o resultado de Baku oferece um ingrediente adicional para a reta final do campeonato: além de enfrentar Red Bull, Ferrari e McLaren, Antonelli começa a sentir dentro da própria garagem a aproximação de um companheiro que não parece disposto a aceitar antecipadamente o papel de coadjuvante.

A prova teve seis abandonos e duas intervenções do Safety Car. Lando Norris esteve entre os pilotos que não chegaram ao fim, num resultado especialmente ruim para a McLaren. Oscar Piastri também enfrentou dificuldades, enquanto acidentes e erros modificaram repetidamente a configuração da corrida. Essa combinação transformou Baku em um dos circuitos mais imprevisíveis da Fórmula 1.

As enormes retas permitem velocidades altíssimas, enquanto o trecho estreito da cidade antiga praticamente não oferece margem para erro. Um toque no muro pode transformar uma corrida tranquila em abandono em poucos segundos.

O triunfo deste sábado também confirma a excelente temporada do britânico. Russell já havia vencido a abertura do campeonato, na Austrália, e voltou ao lugar mais alto do pódio na Áustria. Agora acrescenta Baku à coleção e chega a três vitórias em 2026. Mais do que os 25 pontos, porém, o resultado tem peso psicológico, porque Verstappen atacou, a Red Bull pressionou e o Safety Car aproximou os adversários.

Russell, porém, não cedeu. Depois de 51 voltas, separaram Mercedes e Red Bull apenas alguns metros. O Azerbaijão abriu uma sequência de três fins de semana consecutivos de corrida. A próxima etapa será disputada de 2 a 4 de outubro, no circuito de Sepang, na Malásia. Depois virá Singapura, entre 9 e 11 de outubro.

A viagem para a Ásia começa com Antonelli ainda confortável na liderança. Mas Russell embarca para Sepang carregando algo que pode valer tanto quanto os pontos conquistados em Baku: a certeza de que a disputa ainda não terminou, com Verstappen também deixando o recado de que na longa reta do Azerbaijão, faltou-lhe pouco mais do que o bico de uma Red Bull para vencer. Na Malásia, espera-se, começará tudo outra vez.

Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *