Halley dará espetáculo no céu com uma chuva de estrelas cadentes

Redação
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Malu Oliveira - Foto Editoria de Artes/IA

Na história da humanidade, há visitantes que passam pela nossa casa, vão embora e deixam lembranças. No universo, acontece algo semelhante. O cometa Halley, um dos viajantes mais famosos da história da astronomia, está distante da Terra, mas os fragmentos que espalhou pelo espaço em suas antigas passagens prometem transformar o céu brasileiro em um espetáculo de luz nesta quarta-feira, 21.

O fenômeno atende pelo nome de Orionídeas, uma chuva de meteoros que ocorre anualmente quando a Terra atravessa uma região do espaço povoada por partículas de poeira e pequenos detritos deixados pelo cometa. Ao penetrarem na atmosfera terrestre em altíssima velocidade, esses fragmentos se aquecem e produzem os riscos luminosos popularmente conhecidos como estrelas cadentes.

Segundo a Organização Internacional de Meteoros (IMO), as Orionídeas podem apresentar uma taxa de aproximadamente 20 meteoros por hora, ou até mais, em condições ideais de observação. Isso não significa, porém, que todos os observadores conseguirão contar duas dezenas de estrelas cadentes a cada 60 minutos. A luminosidade da Lua, a poluição luminosa das cidades e a presença de nuvens interferem diretamente na visibilidade.

O nome Orionídeas vem da constelação de Órion, onde se encontra o chamado radiante, ponto do céu do qual os meteoros parecem surgir. Embora recebam essa denominação, os riscos luminosos podem aparecer em diferentes regiões da abóbada celeste, proporcionando um espetáculo que não exige telescópios nem equipamentos sofisticados.

O cometa Halley é um velho conhecido da humanidade. Sua passagem mais recente pelas proximidades da Terra ocorreu em 1986, quando despertou enorme interesse científico e popular. Sua próxima aparição está prevista para 2061, depois de completar mais uma longa viagem ao redor do Sol.

Mas o cometa não precisa estar por perto para se fazer notar. Sua trajetória deixa um verdadeiro caminho de poeira cósmica, que a Terra cruza em determinadas épocas do ano. Além das Orionídeas, observadas em outubro, o Halley também está associado à chuva de meteoros Eta Aquáridas, que ocorre em maio.

É como se esse peregrino do universo, ao atravessar os séculos, espalhasse pequenas sementes luminosas pelo espaço. E, quando nosso planeta encontra essas partículas, o céu se encarrega de fazê-las florescer em breves clarões.

Para os brasileiros interessados em acompanhar o fenômeno, a recomendação dos especialistas é procurar locais afastados da iluminação artificial, preferencialmente áreas rurais, chácaras ou regiões com horizonte aberto.

Segundo o Observatório Nacional, o período mais favorável à observação vai de aproximadamente 1h40 até o amanhecer, especialmente na madrugada de quarta-feira, 21. Também será possível procurar meteoros na madrugada de quinta-feira, 22, quando a atividade continuará elevada.

Em 2026, a Lua crescente, com cerca de 77% de sua superfície iluminada, representa um obstáculo para a observação dos meteoros menos brilhantes. Depois que ela desaparecer no horizonte, entretanto, o céu ficará mais escuro, aumentando as possibilidades de contemplar o espetáculo.

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