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Aliança Celina-Escovão é vista como incômoda

O silêncio que reinava em Brasília nos últimos dias voltou a ser quebrado com tom mais alto do que discurso em palanque eleitoral. São comentários de bastidores que dizem menos sobre certezas e mais sobre o clima político que antecede as urnas. O enredo da vez envolve cifras milionárias, relações delicadas e o velho dilema da conveniência eleitoral, tudo emergindo do balaio de onde saíram 27 milhões de reais do Banco Master, de Daniel Vorcaro, para o site Metrópoles, de Luiz Estevão.

Escovão, agora de mãos dadas com a Leoa, volta ao centro das conversas após notícias relatando um perigoso progressismo. Até mesmo consultores informais de Celina, procurados, evitam atender ligações telefônicas e tocar no assunto. Tudo porque, quando se trata de política, cifras raramente não são apenas números, porque costumam carregar intenções, projeções e, sobretudo, suspeitas, mesmo que ainda não comprovadas.

A aproximação de Celina Leão com Luiz Estevão, materializada em eventos e gestos públicos, é vista pelos próprios aliados com um misto de pragmatismo e apreensão. É verdade que política é feita de alianças, embora muitas delas carreguem o peso da memória. E o eleitorado brasiliense, especialmente em tempos de hiperexposição digital, tende a julgar não apenas propostas, mas companhias. Assim, vínculos com figuras marcadas por controvérsias podem custar mais do que rendem.

A tentativa de mobilizar a chamada “Juventude Progressista” revela uma estratégia clara de renovação de imagem e base. Há nisso, porém, um paradoxo evidente, porque buscar o novo apoiando-se em personagens do passado pode produzir ruído que, em ano eleitoral, amplifica-se com facilidade.

Nos corredores atapetados de Brasília, onde o silêncio deveria reinar sepulcral em meio a um feriadão, o episódio dessa aproximação expõe uma tensão clássica da política brasileira, quando se questiona até onde vai o pragmatismo, sem que se comprometa a narrativa pública? E, mais importante, quem paga o preço dessa escolha? O projeto, com os 27 milhões de Daniel Vorcaro, ou a candidatura?

Como os adversários políticos de Celina Leão estão de olhos e ouvidos atentos, seria oportuno recordar a seus assessores informais que em tempos de campanha, cada gesto é mensagem. E, como se sabe, em política, nem toda mensagem é aquela que se pretende enviar.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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