Notibras

A política das estações e os corpos que tremem no Sul do país

O frio chegou e não pediu licença.

Em Curitiba, cobertores improvisados. Em São Paulo, abrigos lotados. No Nordeste, surpresa climática. As temperaturas despencam, mas o que mais impressiona não são os termômetros são os corpos sem teto, sem voz, sem calor humano.

Michel Foucault diria que o Estado produz corpos úteis e descarta os que não servem à lógica da produção. E no inverno, os descartados congelam. Literalmente. Os sem-abrigo não têm estação: vivem no exílio permanente da cidade, como restos da urbanização que prometia conforto para todos.

O frio expõe a nudez das políticas públicas. Ele denuncia o que está errado: a urbanização sem moradia, a arquitetura sem humanidade, o progresso que se esquece do chão. Clarice Lispector escreveu: “Alguns vivem, outros apenas existem.” No inverno brasileiro de 2025, muitos apenas resistem.

…………………..

Emanuelle Nascimento, colaboradora do Café Literário, costuma escrever textos para outras editorias de Notibras

Sair da versão mobile