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Anuro volta para mostrar que lulai é antídoto de jararacas

Da mesma forma que Donald Trump precisou comprar da venezuelana Maria Corina a medalha do Nobel da Paz, Jair Bolsonaro tentou ganhar o poder na marra. Um está preso. O outro é odiado por Deus, o mundo e quase a totalidade de seus conterrâneos. O resumo da ópera é simples: Os mentirosos, como os golpistas e os expansionistas, acabam por não merecer crédito ainda que digam a verdade. Homenagens, prestígio, força, votos e respeito não se compram. Tudo isso é conquistado com ações, gestos e muita parceria. Como dizem os pensadores, não importa se a gente tem mil amigos e milhões de seguidores.

Um dia até a sombra nos abandona. Imagina os amigos e os simpatizantes prosélitos. Além do poder, Bolsonaro perdeu a liberdade. Nem estadista e nem Deus, Trump em breve fará parte da estante destinada aos líderes da insensatez, do desequilíbrio e da mediocridade. Sobrarão os equilibrados, os destemidos. Os apaziguadores e até os com cara de bobo. Todo esse preâmbulo amaldiçoado para chegar em uma homenagem bizarra, mas gratuita, honesta e ambiental. Faz alguns dias, li em uma dessas revistas especializadas que o presidente Lula foi homenageado por pesquisadores que deram seu nome a uma nova espécie de sapo.

Tudo a ver com o apelido herdado positivamente dos rompantes de Leonel Brizola, para quem Luiz Inácio se assemelhava a um sapo barbudo? Pode ser. A diferença é que Lulai é um sapinho minúsculo de 8 mm, alaranjado e foi encontrado na serrapilheira da Mata Atlântica, na Serra do Cariri, em Santa Catarina, na divisa com o Paraná. Logo na terra do bolsonarista raiz Jorginho Mello! São as voltas da vida. Põe os sapinhos em um estado infestado de cascavéis e surucucus. Conforme os pesquisadores, o “i” no fim de Lulai é uma distinção formal em homenagens feitas em latim, exigida pelas regras internacionais da nomenclatura zoológica.

Ou seja, o apelido Lula (nome próprio, em português) se tornou lulai (epíteto específico latino), resultando num nome científico e válido para uma nova espécie. Não é para qualquer um. De acordo com a revista Conexão Planeta, o novo anuro pertence ao grupo de sapos conhecidos como pingos-de-ouro, devido à exuberância de suas cores e ao tamanho diminuto. De acordo com os pesquisadores que o descobriram e o descreveram, muitos têm uma toxina que os torna venenosos. É sua defesa. Luiz Inácio também tem, mas não é venenoso. Aliás, os técnicos ainda não sabem se o “sapinho do Lula” tem essa característica.

Apesar das críticas das viúvas endêmicas das jararacas, Lulai é exclusivo. Considerado um dos menores vertebrados do planeta, perde apenas para sapinhos encontrados em 2024 em Ubatuba, no litoral de São Paulo, e na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Serra Bonita, em Camacan, no sul da Bahia, respectivamente com 6,95 mm e 6,45 mm. Na justificativa para a homenagem, um dos biólogos do Instituto de Estudos Ambientais informou que Lula é o presidente que mais criou unidades de conservação no Brasil. Assunto encerrado.

Pelo sim, pelo não, o sapinho Lulai é mais uma evidência da variada e desconhecida biodiversidade existente na Mata Atlântica. Para quem tem medo ou nojo de sapos, a ciência e a política já comprovaram a importância desses seres para a natureza. Lulai e similares servem de alimento para aves, répteis e mamíferos, ao mesmo tempo em que são fundamentais para o controle de insetos e de aracnídeos na mata, sem os quais ela não existiria. Por outro lado, o sapo barbudo Lula da Silva é essencial para evitar o surgimento de novas cobras peçonhentas e capazes de dizimar o Brasil em apenas uma gestão. Vida longa aos anuros.

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