O Nordeste brasileiro, frequentemente lembrado por suas paisagens áridas e desafios socioambientais, abriga também alguns dos mais importantes santuários de biodiversidade do país. Espalhadas entre o litoral, a zona da mata, o agreste e o sertão, as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), parques nacionais, reservas biológicas e outras unidades de conservação cumprem um papel estratégico na preservação de ecossistemas únicos, muitos deles ameaçados pela ação humana e pelas mudanças climáticas.
A região nordestina concentra três grandes biomas: a Caatinga, a Mata Atlântica e os ecossistemas costeiros e marinhos. Cada um deles possui áreas legalmente protegidas que funcionam como verdadeiros refúgios naturais.
A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, encontra proteção em unidades como o Parque Nacional do Catimbau (PE) e a Estação Ecológica de Aiuaba (CE). Nesses espaços, espécies adaptadas ao clima semiárido — como o soldadinho-do-araripe, o tatu-bola e diversas plantas xerófitas — encontram condições para sobreviver longe do desmatamento e da caça predatória.
Já a Mata Atlântica, extremamente fragmentada no Nordeste, resiste em áreas como a Reserva Biológica de Una (BA) e o Parque Estadual de Dois Irmãos (PE). Esses remanescentes preservam nascentes, regulam o clima local e abrigam espécies ameaçadas, como o mico-leão-da-cara-dourada e inúmeras aves endêmicas.
No litoral, APAs marinhas e costeiras — a exemplo da APA Costa dos Corais (AL e PE) — protegem recifes, manguezais e áreas de reprodução de espécies como o peixe-boi-marinho e as tartarugas marinhas, fundamentais para o equilíbrio dos oceanos.
Além de conservar a fauna e a flora, as áreas protegidas do Nordeste desempenham funções vitais para as comunidades humanas. Elas contribuem para a segurança hídrica, evitam a erosão dos solos, ajudam a conter o avanço da desertificação e sustentam atividades econômicas como o turismo ecológico e a pesca artesanal.
Em muitos municípios, essas unidades também se tornam espaços de educação ambiental, onde escolas e universidades desenvolvem pesquisas e ações de conscientização. Para populações tradicionais — indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas —, a preservação do território está diretamente ligada à manutenção de seus modos de vida.
Apesar de sua relevância, as áreas de proteção do Nordeste enfrentam ameaças constantes. O desmatamento ilegal, a expansão urbana desordenada, a grilagem de terras, a poluição e a redução de recursos para fiscalização comprometem a efetividade dessas unidades.
Especialistas alertam que a simples criação de uma área protegida não garante sua conservação. É necessário investimento contínuo, participação comunitária e políticas públicas integradas que conciliem preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
Em um cenário de intensificação das mudanças climáticas, as áreas de proteção do Nordeste assumem um papel ainda mais estratégico. Elas funcionam como barreiras naturais contra eventos extremos, armazenam carbono e preservam a diversidade genética necessária para a adaptação dos ecossistemas.
Mais do que paisagens intocadas, esses santuários de biodiversidade são patrimônios vivos do Brasil. Proteger o que resta — e recuperar o que foi degradado — é um compromisso não apenas com o Nordeste, mas com as futuras gerações que dependerão desses ambientes para viver, produzir e existir em equilíbrio com a natureza.
