Notibras

Bebianno vê Bolsonaro rumo à autodestruição

Gustavo Bebianno, o ex-presidente do PSL que carregou nas costas a campanha de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, não entrará na briga do presidente com o partido de Luciano Bivar (PSL-PE). Muito menos vai municiar os opositores palacianos com artilharia contra o presidente. Mesmo porque, revelou ele a Notibras, não precisa. ‘Bolsonaro está a caminho da autodestruição’, sentenciou.

Ao contrário do que disseram velhas raposas políticas acostumadas com a temperatura elevada do Congresso Nacional, na matéria Voto laranja pode derrubar Jair Bolsonaro, editada no sábado, 12, Bebianno não está municiando ninguém com qualquer tipo de informação. Ele simplesmente acompanha, “à distância, e perplexo, assim como a Nação brasileira, as sucessivas e ininterruptas confusões e brigas desnecessariamente criadas pelo presidente”.

Bebianno não se esconde, como não se escondeu durante a campanha, nem mesmo quando foi alvo de ataques contumazes já como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. “O que tenho para falar, ou fazer, faço de frente, publicamente, sempre por meio da imprensa tradicional”, garante. E sustenta, embora sem citar nomes, que, “diferente de muitos outros, não me escondo atrás de ninguém, tampouco de perfis falsos ou anônimos mantidos em redes sociais, criados para ataques covardes e infundados contra terceiros”.

O ex-ministro tem mágoas. Enfatiza, a propósito, que “apesar de ter sido covardemente traído e insultado, jamais devolvi na mesma moeda. Minha integridade é a bússola que norteia meus atos”, frisa. Por isso mesmo, lembra Bebianno, “quando fui demitido, não aceitei o cargo em Itaipu, por exemplo, que me foi oferecido a título de “cala boca”. Exatamente para manter minha integridade, a voz livre e independente”.

Na opinião de Gustavo Bebianno, “o poder e arsenal de autodestruição do presidente se revela avassalador desde o início do mandato. Impressiona a sua capacidade de criar inimizades gratuitas e destruir canais de diálogo. Tem sido assim com o Congresso, com os militares, com a imprensa, com dirigentes estrangeiros, com os apoiadores que ousam emitir algum tipo de crítica construtiva, e, agora, com o seu próprio partido. Impressiona a baixa qualidade dos assessores que ele escolhe ouvir”.

A Notibras, como de resto na conduta que lhe pauta a vida, Bebianno falou com franqueza. Sublinhou, por exemplo, que desde que deixou o governo, não voltou a Brasília. Quanto a Luciano Bivar, presidente do PSL, nunca mais falou com ele, à exceção do dia em que comunicou, por escrito, sua desfiliação do partido e a renúncia ao cargo de segundo vice-presidente da Executiva Nacional.

Bebianno não se diz amigo particular de Bivar. Mas, mesmo não tendo procuração para defender o deputado por Pernambuco, pontua, categoricamente, que as pessoas devem ser justas. E Luciano Bivar, afirma, “sempre foi correto com Jair Bolsonaro, e disso fui testemunha”.

O ex-ministro avalia que quem melhor definiu, até agora, a inusitada crise criada pelo presidente, foi o senador Major Olímpio (PSL-SP), quando disse que “a saída de Jair Bolsonaro do partido seria semelhante à pessoa morar sozinha e, assim mesmo, querer fugir de casa”.

Para Bebianno, Jair Bolsonaro não precisa de oposição, nem de inimigos que o ataquem. “Ele mesmo já faz isso sozinho, com extrema e incomparável eficiência. A finalidade dessas sucessivas crises é que parece apenas eleitoreira e populista, no pior sentido das expressões”, afirma. “O que preocupa – acrescenta -, é que as consequências de seus desatinos são suportadas por todos os brasileiros, e não apenas por ele”.

Crítico ferrenho da tese do ‘quanto pior melhor’, Gustavo Bebianno finaliza dizendo que “cabe a nós continuar orando para que o nosso presidente acorde, caia em si, reveja os assessores mais próximos e, no lugar de destruir, trabalhe para que o Brasil possa melhorar. Nosso país precisa de menos guerras ideológicas e de mais capacidade executiva e política. Que Deus nos abençoe e proteja a nossa democracia!”.

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