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Bolsonaro, no buraco, levará para a mesma cova os seus discípulos

Metade mais uns dos cerca de 213 milhões de brasileiros começam a se preparar para as eleições gerais de outubro deste ano. Nada de especial não fosse o silêncio ardido e perdido da direita. Sem um maestro para conduzi-los e, até agora, sem um nome capaz de incomodar a candidatura da esquerda, os conservadores vinculados ao bolsonarismo lembram aquela máxima do filósofo do pensamento político e ex-senador italiano Norberto Bobbio. Com medo de suas próprias sombras, eles sabem que existe uma saída, mas não sabem onde ela está. Fora da anistia e da dosimetria, tudo é utopia, fantasia e melancolia na galeria vazia de pessoas capazes de, pelo menos em 2026, levar a direita de volta ao Palácio do Planalto.

Por enquanto, andando em círculos, os governadores, deputados e senadores dos partidos de direita só conhecem os caminhos que podem levá-los a lugar nenhum. Filho mais velho, Flávio Bolsonaro ainda não disse a que veio. Dificilmente conseguirá dizer. É o preço a pagar pelo besteirol político produzido em série pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja liberdade quase domiciliar acabou. Por determinação de Xandão, o xerife que não dorme no ponto, ele foi transferido nessa quinta-feira (15) para a “Papudinha”.

Em seu novo endereço, Jair Bolsonaro encontrará velhos conhecidos de golpe, com os quais poderá lavar roupa suja. O ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, estão na mesma colônia de férias prolongadas. Mito forjado na cabeça oca daqueles que sentem a ausência de líderes mais inteligentes, sem história política e absorvido por partidos que fazem do fisiologismo sua razão de viver, Bolsonaro perdeu o timing e, agora, ficou sem a Smart TV, o ar-condicionado e o aparato médico de que dispunha 24 horas por dia.

O que fazer sem os mecanismos que formalizavam e disseminavam suas mentiras? Dormir cedo e sonhar com o canavial de bananas da terra. De longe, dificilmente ele conseguirá transferir seu capital político para qualquer um dos seguidores que ousem se candidatar à Presidência. Entre os nomes que eventualmente se assanham, a maioria mantém a forma bolsonarista de fazer política. Na prática, só querem atrapalhar o adversário. Seja de direita, de esquerda ou de centro, o postulante precisa apresentar propostas e não ideias mirabolantes, belicosas, golpistas, faccionadas e de resultados antecipadamente insatisfatórios.

De acordo com a reação dos eleitores consultados pela maioria dos institutos de pesquisa, Bolsonaro deverá levar para o buraco todos os candidatos que se apresentarem como discípulos do mandatário que mais trabalhou para prejudicar o Brasil. Terão o mesmo destino os postulantes com algum apreço pelo ditador norte-americano. Donald Trump não elege mais ninguém. Nem ele mesmo. Aliás, falar dele em qualquer lugar do mundo é sinal de ódio pelo mundo. Não à toa, Luiz Inácio parece ter engolido um trombone.

A recomendação médica, jurídica, filosófica e evangélica para Jair Bolsonaro e seus seguidores é esperar fevereiro chegar. Temente a Deus como poucos, o ex-presidente tem de ser informado que, conforme os milagres bíblicos, o próximo mês de fevereiro não é bissexto e, portanto, contará com quatro domingos, quatro segundas, quatro terças, quatro quartas, quatro quintas, quatro sextas e quatro sábados. Cabalístico ou não, é o mesmo quatro que marcou a duração de seu mandato presidencial. Como o tempo em fevereiro será igual aos demais meses, nada como um bom livro para vislumbrar logo outubro, mês em que os bolsonaristas finalmente terão certeza de que toda roupa recebe a alma de quem a usa.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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