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Brasil de mito e sapos precisa de quem quer somar e não dividir

Como diz um mestre do jornalismo, do qual sou seguidor, o momento é para pôr as barbas de molho. A expectativa e a realidade talvez estejam próximas, embora para alguns elas pareçam muito distantes. Não sei quantas vidas tem um sapo. Pode ser uma, duas, três. Quem sabe quatro encarnações! E um mito? Não faço ideia. O que sei e posso dizer neste momento de incertezas políticas e de futuro que está logo ali é que tudo é possível, inclusive nada. Todos sabem que o tempo é o senhor da razão.

Sabem também que ele é um escultor de ruínas, isto é, transforma em lenda urbana aqueles que se acham imorríveis e em imortais os que se encontram momentaneamente à beira do abismo. Tudo é uma questão de semântica. Ou seja, a menina que pegou a flor tem um significado diferente da flor que pegou a menina. Então, não há que se falar que um já morreu e que o outro não volta mais. Aliás, como dizia o velho Ulysses Guimarães, a política é a arte do possível. Portanto, o impossível de hoje é o possível de amanhã. Churumelas e opiniões à parte, valho-me de um outro amigo antigo das redações para definir o Brasil de hoje como uma grande geleia real.

Como ambos são nordestinos dos “bão”, vou além e prefiro denominar o país da atualidade de um sarapatel geral. Esquecendo as margens de erro para riba ou para bajo, diria que vivemos em uma nação digna de um capinzal destinado a Nabucodonosor, o rei mais poderoso do império babilônico. Nada mais coerente para eles e para mim que há décadas acompanhamos de perto o mundo político. Melhor que tivesse sido de longe, pois hoje não teríamos a certeza de que, após anos de promessas de mudanças à esquerda, à direita e ao centro, pelo menos dois terços dos políticos brasileiros merecem a mesma sentença do arrogante rei que tanto mal fez para o povo eleito por Deus.

E o que fez o então poderoso Nabucodonosor? Algo parecido com a blasfêmia de nossos homens públicos. Neles, a ambição política prevalece sobre a ética e a corrupção encontra terreno fértil. Em nome de um Deus que eles só louvam para se dar bem, alguns de nossos politiqueiros também tratam o povo de Deus como o esterco do cavalo que eventualmente montam, do gado que criam ou dos capatazes que usam para escondê-los do mar de lama em que normalmente navegam. Por questionar temporariamente a autoridade divina, o rei da Babilônia foi expulso do meio dos homens e passou sete anos comendo capim com os bois.

Mentirosos do tipo que acreditam na própria mentira, grande parte dos políticos brasileiros provavelmente seria o próprio capim. Caso Deus olhasse atentamente para os parlamentos nacionais, uma punição dessa talvez livrasse da maldição o outro terço dos políticos do país do faz de conta. O problema é que certamente faltaria capim para os demais, principalmente para os hereges que, eleitos ou não, vivem para gotejar o ódio e a discórdia entre os brasileiros. A ideia convergente é transformar o Brasil em um território babilônico, isto é, belo e opulento, mas, ao mesmo tempo, caótico, confuso, sem ordem e sem regras.

Seria a Casa de Mãe Joana, algo parecido com uma casa de facilidades comandada por um soldado de puliça ou por um Nabucodonosor travestido de sapo em corpo de príncipe? As duas hipóteses não são improváveis. De repente, o Brasil de hoje é apenas uma pátria que já foi de chuteiras e de todos os brasileiros, mas hoje não passa de um espectro fantasmagórico da política pérfida, rasteira, traiçoeira, trapaceira e atarantada de grupos que só trabalham pelos seus. Que vistam a carapuça aqueles que se sentirem alcançados. Quanto aos demais, torço para que novamente eles escolham certo em outubro. O Brasil precisa de quem quer somar e não dividir.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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